Demorou.
E como demorou.
Demorou pra poder levantar, esticar as asas.
Demorou pra mirar os céus, antes sonho improvável, devaneio do jovem pássaro.
Demorou pra aprender, se acostumar. Saber quando lançar-se ao voo, de acordo com os ventos e umidade. É importante aprender isso, demais até. Às vezes não existe ás dos ares que resista a uma tempestade poderosa, e é mais sábio esperar em ninho seguro, até que esta passe.
Guardar as forças para as emergências, pra quando tentarem alvejar o viajante dos céus. Sempre há desses moleques desnaturados por aí, muitos crescem e ainda adquirem chumbo. Mas não é de vis caçadas que venho falar.
Falo em si do voo. Aquele voo que todo jovem pássaro espera e sonha em vida.
O voo dos sonhos. Realmente, ele demora. Pra começar, principalmente. Mas, desde o início, a sensação é única.
A sensação de observar tudo que ficou pra trás, com certa dose de orgulho e até alívio. Pensar feliz: "É agora, essa é a minha hora!". Isso não tem preço.
Da mesma forma que poder visualizar o caminho do futuro. O próximo pouso, ainda distante, mas que causará bastante satisfação.
Ah, essa sensação. De ascender, planar inatingível. E melhor, acompanhado.
Voar é ser vivo. Voar é o que me faz vivo.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
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