Hey, você aí

Não, não quero seu dinheiro.
Estava mais pra dizer 'Hey Jude', ou algo assim.
Bom, este blog é sobre mim. Não apenas eu, mas o que penso, sinto, etc. Já foi meio invasivo, já foi vazio. E no fundo ainda é legal, pra mim. Meu cantinho de desabafo e filosofia, se assim posso dizer.
Eu sou um livro aberto. O que quiser saber, pode achar aqui. E o que não conseguir, é porque ainda vamos nos esbarrar por esta vida irônica.

The Beatles

The Beatles
Abbey Road

segunda-feira, 16 de julho de 2012

I'm the man on the flaming pie!


Com esses versos da diretíssima no ponto 'Flaming pie', que óbvio, é do Paul, eu começo o post por aqui hoje. Aliás, Paul McCartney foi ainda mais uma fonte de inspiração durante a última semana.
Mais do que o normal e usual. Acho que é válido pensar na questão aqui, afinal, essa sexta feira agora foi o dia do rock. E como eu andava lá com a cabeça nas nuvens, ou com sono, ou com o diabo que fosse, eu não me prendi a escrever nada demais em especial.
Bom, o que tá levando a meditar aqui é que, não lembro se já citei, mas no dia dos namorados, Dominique me presentou com uma porrada: a biografia "Paul McCartney: uma vida", escrita por Peter Ames Carlin. Em virtude da correria da faculdade, eu nunca conseguia encontrar tempo pra começar sequer a leitura. Diante da rotina de tédio que vinha se abatendo, eu tomei vergonha na cara de ler (ainda mais depois que completei mais uma temporada na Master Liga do PES, típico vício que a gente não larga por mais que se esteja enjoado), e, de maneira sincera, cada linha foi um deleite. 
Talvez isso se dê a linha da narrativa de Peter. O livro sem dúvida nos dá uma entoada que, se chamarmos de epopéia, não é nenhum exagero. O ar da narrativa parece entrar na mente de Paul, dialogando entre 1ª e 3ª pessoa de uma forma não tão direta. O narrador cita e explica o pensamento do beatle, mas é Paul quem pensa. Em cada linha do passar de mais de 40 anos.
Agora acho que uma das coisas que enriqueceu a experiência de ler, foi de fato, já saber muitos ocorridos. Ler cada linha já tentando antever o que estaria por vir, pra mim, me deu a sensação de estar lendo um romance policial ou aventura épica. Coisas do imaginário fanático do beatlemaníaco, só um como eu nesta condição pra se sentir assim. Ou só eu, maluco a tal ponto. De fato, já perceber nas linhas que datavam 63 os rascunhos se construindo de "Scrambled eggs" que viriam a se transformar em "Yesterday", a balada romântica mais famosa e mais tocada de todos os tempos, e ver o palpite se confirmar quando as linhas chegaram à 65 e o Help! foi sem dúvida algo muito alegre (até infantil). Acertar no palpite, já mais a frente, de que o álbum fantástico que estava por vir não era nada mais nada menos que Band on the run foi igualmente feliz. 
E junto com isso, eu ainda digo, das duas uma: ou Peter é um baita marketeiro, ou é um beatlemaníaco na essência que sabe EXATAMENTE o que transmitir. Muitas explicações já conhecidas, outras novas, mas todas extremamente impactantes e pra mim, particularmente, intrigantes. Sem dúvida, você pode ter certeza que chegou ao ponto de eu ler ele narrando músicas como "Got to get you into my life", ou mesmo "A day in the life" (dar um exemplo, poucos sabem, mas a idéia da orquestração e muito do realizado pela orquestra foi idéia de Paul, fora a sua parte da música que entra incidente e casa de forma perfeita com a ressonância posterior de John), e nisso, exclamar energicamente:
'É ISSO! É EXATAMENTE ASSIM QUE EU ME SINTO QUANDO ESCUTO!'
Mas vou ser muito sincero. Acho que a parte do livro que tirou meu fôlego foi a descrição de 'Blackbird'. Não vou parafrasear tudo, afinal, hoje em dia a internet pode ter seus recantos mas virou um mundo complicado no que tange a direitos autorais. A página exata é 189. Se eu acreditasse em numerologia já estaria caçando isso há mais tempos. 1 + 8 = 9. E nada me tira da cabeça que 9 tem alguma importância.
Durante o parágrafo (no caso é o segundo), Peter segue simplesmente descrevendo a concepção da música,   o som do violão acústico de Paul acompanhado da marcação feita pelo próprio pé. Notas agudas e graves contrastando com um vocal pleno e sincero. E esse trecho eu me sinto obrigado a compilar aqui:

"(..) O que fica é aquilo que brilha em grande parte do melhor trabalho dos Beatles: um lampejo de luz na escuridão; uma canção para aliviar a dor."

Cara, quando eu li isso, porra, que porrada que foi. Isso foi uma das coisas que contribuiu muito pra paz de espírito que eu atingi esses dias. Essa música foi uma das principais responsáveis pela minha adentrada com afinco no mundo da música. Eu ouvia o LP duplo do álbum branco. Eu via meu pai tocando a música. Eu vi o Pedro, nos primeiros anos de Monuma (quando passamos de apreciadores de rock para criadores de rock), aprendendo com afinco e tocando. 
Dali, quando eu finalmente tinha um violão em mãos, no natal de 2008, eu sabia que seria um dos meus primeiros objetivos. E passo a passo, melodia a melodia, perceber que eu estava apto e conseguia, finalmente, tocar esse hino, caramba. 
"Blackbird" é mais que uma canção pra aliviar a dor. É um mantra, uma filosofia espiritual, é o que define um laço muito especial. Quem sabe, sabe. 

Enfim, seguindo pra fechar quanto ao livro, só acho que o final merecia mais destaque. Um resuminho caprichado pra fechar em alto estilo, porque o livro é delicioso. Dá vontade de chorar quanto narra a morte de John, e os anos subsequentes. A morte de Linda não é tão trágica, mas psicologicamente é uma tortura. Quase história de cinema. E sem dúvida, nem tudo são flores. Paul é um sujeito bem complicado. E de certo foi um pouco confuso, se assim posso dizer, ler os defeitos narrados de Paul, que se assemelham aos que me são atribuídos.
Mais ainda nos elogios. Era como ler tudo aquilo e alguém dizer no fundo:

"Hey, sabe o teu ídolo? Ele era igualzinho a você na sua idade."

Juro que não é forçação de barra. Se eu pudesse registrar com precisão tudo que já me criticaram e elogiaram, e comparar com a longa lista nobre/polêmica de Paul, não posso negar as semelhanças.
Mas também há diferenças gritantes. Nunca fui vegetariano e to longe de ser. To longe de ser adepto da maconha, bebidas, etc. E o Paul, como qualquer um dos anos 60, era MUITO ADEPTO.
Não que fosse coisas como escrever "Lucy in the sky with diamonds" (e ainda vai ter gente pra defender a teoria nada ridícula de que se baseia de completo no desenho de Julian Lennon. John tava no LSD, isso é bem certo. E não to condenado, porque essa é FODA). Apesar do fraco, Paul sempre foi conhecido por não viajar tanto dentro do estúdio ou na hora de compor. Não que não o tenha feito, mas você pode ter certeza que os maiores sucessos dele não são resultados de viagens.

Coisas que o livro me revelou além da personalidade. Alguns feitos: eu já sabia que John melhorou (ou melhor, aprendeu de vez) as técnicas pra tocar guitarra graças à Paul. Ainda adolescentes, foi Macca quem o ensinou a afinar as cordas. Mas não sabia que Paul foi vanguardista muito antes de John. Sabe aquela putamerda do "Revolution 9"? Pois bem, aquelas técnicas já eram usadas por Paul cerca de 2 anos antes, e colaboraram pra produção de músicas mais facetadas como "I'm only sleeping" e mesmo "Tomorrow never knows".
Além das poesias reprimidas e as pinturas. É incrível ver como Paul era extremamente multifacetado, sempre explorando novos horizontes. E ver também um lado sinistro da parceria com John. Após sua morte, John foi endeusado. Até aí, tudo bem. Mas Paul foi menosprezado. E antes também, no começo pós Beatles. Seus primeiros álbuns solo são simples, mas tem incríveis jóias dentro de si.
Mesmo assim, o que falar da relação de amor e ódio que definiu os rumos do rock e música pop, bem como de toda a indústria cultural? Compondo juntos ou se ajudando em trabalhos individuais, 
Ringo Starr, George Harrison, John Lennon e Paul McCartney, juntos, são responsáveis, dentre outras coisas, por:

 - Os maiores hits da história da música popular;
- O topo da billboard de todos os tempos, tanto em quantidade como na posição;
- O surgimento, no cenário internacional, de nada menos nada mais que: Rolling Stones, Monkeys, Kiss, Oasis, entre outras;
- No brasil: de Roberto e Erasmo Carlos, Mutantes (destaque óbvio pra Rita Lee), Tropicália (Caetano e Gilberto nem se fala....);
- O surgimento do clipe de música (e portanto, de canais como a MTV, etc);
- A consolidação de estilos como o Hard Rock e o Rock Progressivo;
- O surgimento de estilos como o Heavy metal;
- Estabelecimento de recordes que levaram décadas e muita mídia pra serem quebrados, como a audiência histórica do Ed Sullivan Show em 64, e o show do Shea Stadium em 65;
-A marca mais rentável da história, que não só deu fortuna aos 4 - sustentou empresários, produtores, as empresas dos 4, famílias, e provavelmente duplicou a renda de Michael Jackson ao cabo do final dos anos 80, quando o rei do pop adquiriu os direitos da única coisa que vendia mais que MJ, músicas dos Beatles. Não obstante, quando finalmente Paul, Yoko e os outros remanescentes do império cederam à pressão para construção das remasterizações mais digitalizadas, os Beatles geraram um boom online sem precedentes e jamais visto, mantendo-se no topo da lista de downloads mais realizados em quase todos os sites, superando os típicos fenômenos pop passageiros e mesmo artistas muito mais consolidados nessa nova era, como Beyoncé ou Red Hot, típicos "blockbusters" digitais ;
 - A consolidação do movimento hippie e pacifista, aguerrido principalmente na figura de John;
- A primeira transmissão ao vivo em cores via satélite para a TV no planeta: "All you need is love" em alto e bom som;
- A transformação do rock n' roll em algo muito maior e mais abrangente, dando espaço e força para que tudo fosse possível, e assim seria feito, e foi feito. 

Não dá pra dizer que as bandas que sucederam os Beatles fizeram feio. Pelo contrário. Eu sou fã declarado de Iron Maiden e Metallica por exemplo, que seguem linhas cuja semelhança só pode ser vista em "Helter skelter". Os Beatles nem tinham acabado oficialmente e já tinha Pink Floyd, Led Zeppelin, Jimmy Hendrix. Se passar mais pra frente, tem Clash, Sex Pistols. Black Sabbath. Iron e Metallica já citados. Queen, putamerda, só gente foda. Nirvana, Pearl Jam, Oasis, Green Day, Foo Fighters. Se deixar vai embora.
Enfim, o que eu quero dizer é que, não tem como comparar. Cada um tem seu gosto e vai ter suas preferências, mas não há como negar a importância dos Beatles como a maior. Aquela sem a qual você nem sequer teria a opção de escolher entre pop rock e heavymetal, porque nenhum dos dois seria tão bom ou teria recebido os mesmos incentivos pra surgir, uma vez que os ídolos de qualquer área do rock, são fãs de Beatles.

Cada um deixou ser marco. Fosse como Beatle, fosse após o sonho. Lennon disse, no fim, que o sonho tinha acabado. Porém, o herói da classe trabalhadora nunca foi do tipo de admitir as coisas. De fato, o legado dos Beatles parece cada vez mais eterno. E enquanto tiver loucos como eu, vai ser.
Ringo sempre é esquecido. Favorito da minha amiga gaúcha, a Bruna, e de muitos outros que gostam de ser do contra. Poucos sabem a importância essencial do narigudo. Sem seu humor e calma, os Beatles podiam ter acabado já pras bandas de 67/68. E um mundo sem Abbey Road não seria mundo. Pra muitos o tadinho tá morto. Coitado, 74 anos. Se não me engano das contas, 74. E sempre rodando o mundo quando dá. 
George era o irmãozinho mais novo da dupla lendária. Mas pra mim também cresceu pra se tornar uma lenda, e que segue uma direção que nenhum dos outros dois seguiu. As pessoas deviam parar de pensar que só existia Lennon e McCartney, e um carinha que 'ajudou a escrever' "Something". Cara, George era EXTRAORDINÁRIO. Podia não ser tanto quanto a dupla, mas pra mim, é o primeiro que vem depois. Toca muito bem, canta bem. E de uma espiritualidade ímpar. "Ride without traveling...".
Lennon era o senhor língua ácida. John nunca foi de medir as palavras. Não à toa, vivia metendo a imagem dos Beatles em confusão. Mas era um gênio que você pode comparar ao craque de futebol. Num lance, ele decidia. E o lance era um verso às vezes. E bastava. Quem podia confrontar o fundador da maior banda do planeta? É bem verdade que ele não era bem um líder de fato na hora de exercer liderança (Paul guiava a banda no palco, Brian nos negócios, Martin nos estúdios, e John apenas dava sua aprovação), mas sempre deixou claro sua marca na banda. E sempre a fez valer a pena. Desde o começo, onde sugeriu a Paul que, ao invés de usar "..She never been a beauty queen..", entrasse com um super mal intencionado " .. You know what I mean...". Dali nasceria "I saw her standing there", do jeito perfeito pra estourar.
Lennon se inspirou muito não só no parceiro, mas em Bob Dylan. "Nowhere man" e "You've got to hide your love away" são, pra mim, duas das músicas mais lindas que o mundo já viu. Poéticas, instigantes e extremamentes reflexivas."In my life" é algo absurdamente nostálgico e melancólico, porém genial, para um cara que na época nem 25 anos tinha direito. Os hinos da paz e amor na época do Sgt Peppers, a construção de figuras hilárias no Abbey Road.
Carreira solo irretocável também. 
Fora a sacada divina de John Lennon em "Free as a bird". Já falecido, John deve ter assistido do céu seus 3 companheiros de banda finalizarem uma música linda que ele tinha dado corpo. Todos, intrigados com o fim da música, uma voz de Lennon dizendo algo impossível de entender. Resolveram por deixar, sábio era o fundador dos Quarrymen e mártir dos Beatles. 
Quando saiu "The Beatles Anthology", ao fim da música, vem o recado, agora claro, de John:
"Feito por John Lennon!"
Cara, simplesmente cômico. 

E Paul, da minha parte, dispensa comentários. Um camaleão nas vozes, um gênio nos arranjos. De folk à música clássica. Do uquelele ao mágico baixo Hofner. Na época em que era menosprezado, criou os Wings e estabeleceu seus próprios recordes. Um fora de série. Se "Blackbird" é uma das músicas mais lindas que ele já fez e sem dúvida mexe comigo, ironicamente, não é a minha favorita.
Então, nessa pegada, resolvi fazer tipo um top10. É, vai ser um top10 das minhas favoritas.

10º - "Coming up"

Essa música é da carreira solo do Paul, fazendo parte do álbum McCartney II. Muito animada, vibrante, do tipo que cola no ouvido. Um baita arranjo: metais, saxofones, trompetes, baixo vibrante como só ele sabe desenhar, guitarras agitadas, coros animados. Sem muita profundidade, mas legal pra levantar o astral. Um videoclipe hilário, que revela uma coisa chata: a música foi mal gravada. A voz de Paul chega a soar irritante. Ao vivo é outro papo. É sensacional. E é ao vivo que eu vou mostrar rs
'Se você quer um amigo pra contar, um que nunca irá te deixar na mão, eu quero te ajudar a achar as respostas, então fique por perto, porque eu disse: está chegando!'



9º - "Here, there and everywhere"

Coisa pessoal, sou muito fã das baladas que Paul fez no Revolver, álbum dos Beatles de 66. Essa em especial, é linda de morrer. Retrata fielmente a paixão no melhor estágio possível entre dois namorados. O acompanhamento de John e George no coro que uiva, parecendo sofrer, dá um tom ainda mais de delicadeza e fragilidade à canção. A voz de Paul também, canta a paixão, mas de forma tímida, quase que denunciando a fragilidade desse sentimento humano. Fora os agudos que só o Macca alcança.



8º - "When I'm sixty-four"

Paul sempre foi um compositor extremamente romântico. Desde os Quarrymen, escrever sobre amor era algo fluido para o Sir. E esta é a história de amor que dá certo, diferente de muitas outras. Este pequeno blues, por assim dizer, remete ao casal que se pega pensando no envelhecer, que já está se encaminhando. E você caro leitor, vai ter alguém pra te dar de comer, e acima de tudo, precisar de você, quando tiver 64 anos?
E os netinhos? Vão dar trabalho?
Ah e não se esqueça, você vai ficar um pouco sovina e economizar sadicamente (acho isso sensacional. A capacidade de fazer uma música romântica que ao mesmo tempo dá suas criticadas leves nos atos tão rotineiros e tão estabelecidos sem razão na cultura da época).
Os sopros são um show a parte. Faixa sensacional do lendário Sgt Peppers.





7º - "Let it be"

Todo mundo sempre deu destaque ao trabalho de Paul no baixo, mas é impossível negar o trabalho que ele executa como pianista também. Faixa que dá título ao último álbum lançado pelos Beatles (embora não fosse o último a ser gravado). A música personifica um dos maiores traumas da vida de Paul, sua mãe, que faleceu quando ele ainda era garoto, de câncer de mama (triste ironia, seria exatamente a causa da morte de Linda, sua mulher, no finzinho de dos anos 90, pra virada do século). Uma música melancólica, mas linda e profunda, que reflete justamente uma das principais filosofias da família McCartney: 'se a vida estiver difícil, siga em frente, continue andando, deixe rolar, let it be'.





6º - "Band on the run"

Uma viagem. Do melhor tipo possível. A música dá nome ao melhor e mais completo álbum de Paul com os Wings, e sem dúvida um dos melhores álbuns de rock n' roll de toda a história. 
A letra reflete diferentes momentos da vida de Paul, desde o começo com apenas um sonho, as corridas pra escapar das fãs, até os Wings, e o simples fato legal de estar numa banda por aí. Um pop crescente, que se transforma num rock bem pegado, e depois um rock animado. Com direito a diversas passagens de diferentes naturezas instrumentais. Simplesmente, SENSACIONAL.





5º - "Paperback Writter"

Tem gente que nem lembra dessa música. Lado A do single lançado em 65, após o Help! e antes de Rubber Soul. Essa música retrata as aventuras de Paul no literalismo de vanguarda da época, combinado com suas boas recordações da escola de artes. A música é simplesmente uma história escrita, uma brochura que fala de um 'homem sujo de história suja com uma esposa limpinha e um filho jornalista'. UMA DAS MELHORES HARMONIAS VOCAIS DE TODAS AS MÚSICAS DOS BEATLES. O coro, eu repito, é INIGUALÁVEL. Paul cantando e mandando ver no baixo, a guitarra vibrante e rápida. Um tal de hard rock nascia nessa música, se você prestar atenção nas deixas. 
Bem pensada, vibrante, agitada, muito bem elaborada e perfeitamente executada. Pra mim, um clássico de marca maior. 



4º - "Mother's nature son"

Não é simplesmente uma música. É algo indescritível. Um poema, uma lírica. Um cântico.  Algo fora dos padrões imaginários. Me identifico extremamente com essa música. O filho da mãe natureza, sentado num monte (ou numa colina pra os entusiastas de "The Fool on the hill", que também é um musicão), cantando músicas alegremente para quem passa, vivendo em harmonia com toda a floresta, os rios, etc. Certamente uma música inspiradora pro movimento hippie. Faz parte do álbum branco de 68. Balada acústica com 2 violões bem simples, mas muito bem alinhados. Ao desenvolver, vem aos longe os trompetes, se não me engano também crescem os violinos. A música cresce, tira o fôlego. Tudo pra culminar numa vocalização infantil de Paul, que ao mesmo tempo é plenamente solada no violão, em um reforço sonoro e emocional de ambas as partes. O violão e Paul são filhos da mãe natureza, brincando na relva. Essa parte é tão, cara, nem tem como descrever. É como se a própria mãe natureza estivesse ali, fazendo cafuné em você que escuta, e cantarolando suave exatamente como Paul está fazendo. Sem mais delongas, a criação divina:




3º - "Hey Jude"

Já vai ter gente chiando. 'NÃO, VOCÊ TÁ MALUCO? TERCEIRO LUGAR? VOCÊ SÓ PODE TÁ BRINCANDO, SEU DOENTE, BLA BLA BLA'. 
Como eu disse, o top10 é meu, mas eu compreendo de certa forma. Mas logo vou dizendo, acha que foi fácil escolher? Eu levei um bom tempo pensando. 
E não é nada fácil conseguir dizer quais são as 3 músicas do Paul que eu mais gosto. Nada fácil mesmo. 

Eis aqui uma das favoritas de todo o planeta. Sem dúvida, uma das obras primas não só de Paul mas como de toda a história da música. E justamente por escapar da questão mais individual. Composta pra alegrar Julian, o filho de Lennon com Cynthia, na época da separação de seus pais, "Hey Jude" consegue ir muito além de uma música que cura traumas infantis. Não importa qual é o seu problema, escute. Brigou com o(a) namorado(a)? Foi demitido? Morreu alguém próximo? Escute "Hey Jude". É revigorante, é forte, é emocionante, bem preparada, sobe do melancólico ao vitorioso, denotando a superação que você, que está ouvindo, quer realizar. E depois de ouvir, eu te garanto que vai. E o melhor, o poder do coletivo: o 'na na na' épico puxado por diversas cabeças te leva a acreditar que nunca está sozinho, e que pessoas que também tem seus problemas também irão superá-los. E porque não se ajudar no processo? É fácil. Cantem juntos, que soa mais alto.


PS: Reparem, no 'na na na', em um carinha perto da bateria de Ringo, que usa óculos. Você vai ver ele se empolgar logo logo. E é assim que se sente mesmo. No show do Paul que eu fui, 5 minutos de na na na mesmo depois da música ter acabado. É algo surreal. 


2º - "Helter Skelter"

Os fãs, ou melhor, as fãs ensandecidas de Sir Paul McCartney vão dar um piti. "Essa?????"
Claro. Até porquê, você encontrar uma garota que goste de Beatles e heavy metal não é uma combinação comum. E se ela é fã de Paul, deve babar numa "Michelle", ou quem sabe então "Another Day", "Eleanor Rigby", etc (todas músicas lindas. "Eleanor Rigby" eu colocaria no top10, mas fiquei na dúvida entre ela e "Here, there and everywhere", bom, coisa do dia talvez....vai saber).
Não estou tirando os créditos dessas músicas, acho todas muito boas. 
É que esta é especial.
"Helter Skelter" é Paul desconstruindo a si mesmo. Romantismo? Que nada (é engraçado, pois a segunda resposta dele a essa questão é 'Romantismo sim senhor! "Silly Love Songs" 
foi sucesso estrondoso). Paul aqui pega sua relação com a namorada da época, Jane Asher (Linda foi aparecer no fim daquele ano), e joga a merda no ventilador. Os especialistas, por assim dizer, classificam o que está aqui presente como proto-metal. Ou seja, o precursor do heavy metal clássico. O que deu início. Mas sejamos curtos e grossos, diretos ao ponto, é heavy metal. Guitarras distorcidas, um baixo faminto e ávido por quebrar a casa, a batida violenta na bateria que daria vão para o icônico "I'VE GOT BLISTERS ON MY FINGERS!!!!!" proferido por Ringo ao fim dos 5 minutos gravados de puro poder do rock. E Paul com uma voz gritante, rouca e poderosa, que entra com todo o vigor em explosão com a guitarra. A música, como eu disse, é uma leva das confissões de Paul. Suas decepções com a inconstância da parceira, ou com o desprezo que uma amante pode vir a apresentar para com seu homem. Foi exatamente, um desabafo que passou longe da melancolia, e pegou um lado tipicamente necessário que nós tentamos esconder: a nossa raiva. E foi o que ele fez, soltou a raiva à todo pulmões naquele estúdio. Tá aí o resultado, minha medalha de prata do Paul. C'mon head bangers!

Tomei a liberdade de botar o clipe que fizeram pro Beatles Rock Band, que ficou muito jóia xD 




E para o primeiro lugar, não podia ser outra


1º - "Yesterday"

A balada que venceu o tempo. Os números. As oscilações. A música mais regravada de todos os tempos.



"Yesterday", a versão finalizada de "Scrambled Eggs". O sonho de Paul McCartney que se concretizou em acordes. Em música. Levou quase 2 anos pra ser completamente concebida e finalizada. Muito antes de, de fato, levá-la para os outros Beatles e George Martin, Paul tocava-a para amigos íntimos e parentes, perguntando se já a tinham ouvido em algum lugar. Pra ele, era impossível que ele a tivesse escrito, pois era algo inconcebível. 
E de fato, era. Mas era de Paul, e talvez ela tenha sido a responsável por fazê-lo entender que não era um mero rockstar. 
A música, pra muitos, carrega o fantasma da mãe de Paul. E se você parar pra reparar, pode até ser que no subconsciente ela tenha se desenhado assim. Com esse embasamento.
De qualquer maneira, é a angústia extrema. Um homem que canta, a sua dor e pesar, mas resignado. Não há o que se possa fazer, a dor que o persegue é de seu passado e está alheia às suas capacidades. Ele apenas convive com seu carma, é puro pesar e seguir andando. É mais que a filosofia McCartney de vida. É o dilema existencial de todo ser humano. 
Acho que o mais incrível de "Yesterday" é que traz maturidade. Eu, ouvindo essa música, milhares de vezes na minha vida, sempre entendi de diferentes maneiras que, às vezes, você só pode sentir a dor. Sentir, deixar fluir. Sem dor, não se cresce. Não se vive a vida. E a música te aponta o próximo passo: aceite, reajuste, siga em frente, seja feliz. 
Não prolongue as mágoas do passado.
"Yesterday", tal qual "Blackbird", foi uma das minhas primeiras metas como músico. E dominei-a com afeição, e sem dúvida, é meu melhor cartão de visitas. Uma música que eu me sinto bem cantando. Que me inspira a encontrar novos caminhos. Sem mais delongas. 

A melhor música de Sir James Paul McCartney. 

Tão boa que mesmo as beatlemaníacas mais escandalosas ficaram caladinhas pra ouvir. 




Claro que isso é uma apresentação ao vivo, mas tudo corre quase exatamente igual ao que foi gravado para o Help! O melhor de tudo, é de fato, ver beatlemaníacas caladas escutando a música.





E assim, encerro o que provavelmente é o maior post que já fiz na história deste blog. Inspirado em Paul, inspirado no rock, nos Beatles, no livro que Domi me deu. E muito em Domi, sem dúvidas. Não há como não pensar no seu amor ouvindo o cara que melhor sabe narrar isso.


Rock on!



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