Hey, você aí

Não, não quero seu dinheiro.
Estava mais pra dizer 'Hey Jude', ou algo assim.
Bom, este blog é sobre mim. Não apenas eu, mas o que penso, sinto, etc. Já foi meio invasivo, já foi vazio. E no fundo ainda é legal, pra mim. Meu cantinho de desabafo e filosofia, se assim posso dizer.
Eu sou um livro aberto. O que quiser saber, pode achar aqui. E o que não conseguir, é porque ainda vamos nos esbarrar por esta vida irônica.

The Beatles

The Beatles
Abbey Road

sábado, 1 de dezembro de 2012

Tell my story

Certas coisas, certas coisas....
Certas coisas não precisam de palavras. Mas eu as busco do mesmo jeito.
Sinto-me confrontado em um verdadeiro desfile carnavalesco de sentimentos que jamais foram tão intensos.
E, com toda a abdicação de tempo para sentir em função do tempo pra estudar na faculdade, isso vira uma verdadeira bomba psicológica.
E pra não explodir, cá estou.
Não, não são sentimentos ruins. São todos lindos, maravilhosos. Tão intensos quanto os que me construíram como sou, de essência. Quem sabe mais fortes que isso. Apenas me confrontam, porque estão diante de mim.
Lá estava eu, sabem?
Feijoada no Pedro II. Reencontro de ex-alunos. Tudo pra ser incrível. E foi.
Em cada mísero detalhe. Em cada pessoal querida ao meu redor, ou melhor, do meu lado: abraçados, cantando, tocando, rindo, sendo nós.
E até nos rostos cuja existência me passava tão desapercebida naqueles tempos. A simples lembrança era algo a mais. Ver de novo fazia lembrar. E lembrar era sentir, e eu já sentia naquele momento toda a glória, todo o amor, e toda a fragilidade de estar assim, tão em casa novamente mas com duração limitada.
Desde o atraso que me custou alguns palavrões esperando ônibus. Talvez se não houvesse a demora, eu não teria batido um papo mais longo com a Larissa Mattos, nos encontrando na leopoldina. Já citei ela com alguma frequência por aqui. Desde o meio do ano passado, temos nos tornado grandes amigos. Hoje, eu vejo nessa amizade uma coisa tão forte, tão orgânica e simples que parece até que somos amigos de infância. É algo incrível, e se torna mais pela inesperada forma com que se deu. Realmente, uma amizade verdadeira, daquelas que toca na alma. E foi rápido. E o que é o destino, senão a ironia de colocar essa grande amiga de encontro com meus maiores amigos de todos os tempos. Pelo andar da carruagem, ela vai ser a primeira garota pós era de ouro que poderia ser nomeada um membro do Monuma. Nada mais justo, até.
E eu lá, de papo com ela, e com a viola pra me divertir. Michelle é rainha, nunca me deixa na mão. E com Michelle no meu colo, soando o que eu aprendi a escutar, mais lembranças me chegavam. Não era mais nostalgia, era aquela coisa.
Aquela coisa que bate em cada aluno do CP2, cada um à seu modo.
Por mais semelhanças, não consigo não descrever a minha sensação. Seria alguém capaz de me entender quando digo que sou o que sou por causa dele? Esse colégio que me trouxe o verdadeiro significado de essência, de cultura, de vivência, de ser humano. De amizade, de amor.
Seria alguém capaz de entender que amei este colégio? E amo.
E também que cada olhar profundo de cada amigo, eu amei também? E amo.
Que amei a quem ele me trouxe pra amar? Que amo a quem eu tenho pra amar graças à ele? E amo, sim! Amo.
Amei, por mil anos antes de vê-los, e o farei por mais mil anos.
Reafirmar isso é me reafirmar. Eu sou assim. Sempre fui. Não há outra forma de sentir pra mim.
Quase todos estavam lá. Já citei a Larissa. Então bota na conta: Phelipe, Gabira, Bruna, Geraldo, Bia, Pablo, Julio, Kadu....
E mais que isso. Minhas histórias, eu estava lá. Era eu, eu me via. Em cada pilastra debatendo uma questão de prova, em cada pedaço do piso fazendo minhas piadas sem graça. No Monuma, tocando violão, cantando. Era eu no CP2, sendo eu, novamente. Por inteiro, sem arreios ou culpas ou problemas. Só eu, e feliz.
Como era bom.
Como é bom.

Pude tocar e cantar ao lado dos meus irmãos por alguns instantes antes de ir embora. Conversar, tirar fotos inesperadas.
Dali saí. Fui encontrar Dominique. Que amo. E por que amo?
Amo, é autoexplicativo. É, e isso basta.
Fruto dela usar o uniforme que eu amo. Isso foi o que tornou possível.
E então, despedidas que me queriam fazer me espancar de ter coragem de ter que sair. Porque dar motivo ao azar? Porque não viver naquele momento pra sempre?
Bastava. Um abraço do tamanho no mundo. Em mim, no CP2, e em todos que amo.
Bastou, eu soube disfarçar.
Uma última olhada pra trás. "Peace and rock n'roll!". Digo sincero, pois sou assim. E é melhor rir, não me aguento no choro.
Meu coração é vasto, meu sorriso é irônico. Meu olhar, bandido, que me trai. Não houve quem não me lesse. Meu espírito se quer ali. Deixei cair as lágrimas já disfarçadas enquanto seguia rumo a saída.
Só naquele chão elas sabem o que sinto. A dimensão.
Respirei a brisa que soprava carinhosa. Fundo, me enchi do frescor. Fiz o que tinha de fazer e queria fazer.
Amei, amo, continuo amando. Fora do CP2, fui dar meu amor.


2 comentários:

  1. Somos duas bombas psicológicas, meu amigo. Foi tudo tão mais incrível, tão mais vívido e emocionante do que eu sequer puder prever. Do que sequer pudemos prever. Sabíamos que seria uma tarde das mais felizes da nossa vida. Mas eu, pelo menos, não tinha a dimensão da situação...

    Não tive a capacidade de medir o quanto eu sentia falta de tudo naquele colégio. Das pessoas, dos professores, do próprio local. E andar de um lado pro outro do pátio, entrar no refeitório, abraçar muitas pessoas que fizeram meus dias ali inesquecíveis, que mudaram minha história, que me mudaram... Nossa, indescritível. Até ver os rostos antipáticos me faz falta, percebo agora. Tudo no Pedro II me faz falta. É uma lacuna impossível de preencher, embora um pouco anestesiada pelo tempo e pela distância. Mas ainda assim uma lacuna, pude perceber ontem - uma lacuna eterna.

    "Seria alguém capaz de me entender quando digo que sou o que sou por causa dele? Esse colégio que me trouxe o verdadeiro significado de essência, de cultura, de vivência, de ser humano. De amizade, de amor. Seria alguém capaz de entender que amei este colégio? E amo."

    Tenha certeza de que em mim você encontra essa reciprocidade, Calvin. Às vezes me acho extremamente hiperbólica, exagerada e impossível por amar tanto esse colégio. Quer dizer, QUEM AMA UM COLÉGIO ASSIM? Ninguém entende o orgulho que há embutido nisso. Ninguém entende a incondicionalidade de um amor assim. O orgulho de estudar numa instituição como o Pedro II, não só pelo prestígio do ensino, mas pela transformação que ela opera em você. E quem eu seria se não tivesse passado por ele, meu Deus? Eu agradeço todos os dias, todos, pela possibilidade de ter feito parte disso. É algo que todos deviam poder provar. O mundo seria um lugar melhor se todos fossem alunos do Pedro II.

    "Amei, por mil anos antes de vê-los, e o farei por mais mil anos. Reafirmar isso é me reafirmar. Eu sou assim. Sempre fui. Não há outra forma de sentir pra mim. (...) Era eu no CP2, sendo eu, novamente. Por inteiro, sem arreios ou culpas ou problemas. Só eu, e feliz.
    Como era bom. Como é bom."

    Parabéns pelo texto lindo e tão tradutor dos meus sentimentos (e dos de muitos outros, aposto!). E pense sempre que "seu último olhar" não foi último. A gente deixa o Pedro II, mas nunca totalmente. Ele nunca sai de nós verdadeiramente. E pra qualquer momento difícil, ele vai ser um porto seguro, uma possibilidade de alegria garantida. Ouvir "Pedro II" me desperta um sorriso automático. E ontem, não só pra mim, como pra todos que estavam lá, as poucas horas que duraram aquela feijoada foram horas de absoluta distração. Só o que importava era o agora, estar ali, sentir tudo aquilo. É simples e puro e, por isso mesmo, absolutamente mágico,lindo. E é pra sempre, Calvin. No matter what. Isso é algo que ninguém, nunca, vai arrancar de nós. (:

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  2. Penso cá comigo o que nos levou a sentir tantas coisas dessa forma. Mas por mais que eu possa escrever, nada poderá explicar.
    Simplesmente, tudo que fizemos naquele colégio é a essência de quem somos. Meu último olhar é apenas o do momento. Se puder, me enterrem lá. Ou cremem num forno elétrico e me espalhem as cinzas.
    Meu texto é pouco pra cada coisa que nos passa no peito. É pouco e sempre será.
    Você, talvez como ninguém mais, sabe disso.
    Ao CPII agradeço tudo, e uma das coisas que mais posso agradecer é você.

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