Hey, você aí

Não, não quero seu dinheiro.
Estava mais pra dizer 'Hey Jude', ou algo assim.
Bom, este blog é sobre mim. Não apenas eu, mas o que penso, sinto, etc. Já foi meio invasivo, já foi vazio. E no fundo ainda é legal, pra mim. Meu cantinho de desabafo e filosofia, se assim posso dizer.
Eu sou um livro aberto. O que quiser saber, pode achar aqui. E o que não conseguir, é porque ainda vamos nos esbarrar por esta vida irônica.

The Beatles

The Beatles
Abbey Road

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Convém dizer muito

Incrível a capacidade do acaso de botar gente nova na sua vida.
Mais incrível é a capacidade dessas pessoas de simplesmente se fixarem na sua cabeça após uma conversa ou uma pequena passagem de tempo juntos. E logo na primeira. 
O que seria isso? Será que é meu coração que se dá fácil pras pessoas? 
Ou seriam de fato, essas pessoas, do jeito irresistível a qualquer um, que nos fazem apegar de primeira vista?

O mais engraçado é como essas coisas se desenrolam. É sempre assim, quando a gente menos espera e tá lá se agarrando a novos focos, novos aprendizados. Não sei porquê, mas a vida por si só gosta de ser irônica. E quando se trata de um cara que vive das ironias e do azar, como eu (sem nenhum toque de melodrama ou exagero nisso), as coisas se expandem em episódios tragicamente épicos. Ou hilariantemente surpreendentes, faça sua escolha.

Exemplo: tinha uma menina linda que assistia aula de Saúde Pública comigo. Não era nem minha veterana, sequer de Engenharia Ambiental. Eu só a achava estonteante. Mas, claro, tendo eu o meu histórico e a grande desmotivação e falta de vontade de me ferrar a troco de nada, e ainda mais sem contexto, eu nunca consegui puxar papo. A coisa ficou pior pros meus anseios deliberadamente sonhadores e passageiros quando, certo dia, ela veio com uma calça mais alta e deu pra ver uma tatuagem dos Beatles na perna.

Pensei comigo: "Só pode ser brincadeira."
O que em si era passageiro sempre passando ao término de cada aula, ganhou chance numa vista de prova: comentando de cá, comentando de lá, acabamos indo embora juntos e palpitando do trabalho que tinha que ser feito ainda. E eu, claro, se tem uma qualidade que eu sei que tenho é a capacidade de puxar um papo a partir do nada e começar a conhecer a pessoa em diversos campos da vida. Assim foi. Já no ponto, e eu gostando mais do que estava vendo, finalmente fui cavalheiro:
"Prazer, Calvin."
Eis uma resposta que jamais eu teria esperado:
"Prazer, Dominique."

Naquele momento então eu fiz uma força digna do Oscar para manter uma expressão facial tranquila, confiável e que não passasse desconforto. Retruquei:
"SÉRIO, Dominique?"
"É."
"Engraçado.."

Pra que eu não reclamasse mais da sorte, ela não me perguntou porquê. E embora eu já tenha sido extremamente explícito por aqui nesse blog, de uns tempos pra cá quem lê percebe que eu amadureci muito nesse sentido e tenho preferido pela poética e as metáforas que sei que posso usar. Sou explícito apenas quando não tem muito o que ter de ruim nessa exposição, aprendi essa lição. E agora eu acho que é dessa forma pelos seguintes motivos:

1 - Eu provavelmente não devo encontrá-la de novo. Não sei se é bom ou ruim. E olha que nos esbarramos essa segunda, até..., e como eu duvido muito que isso chegue aos olhos da menina, não tenho dor alguma na consciência.
2 - A outra pessoa que podia se incomodar com essa história fez questão de me cortar então não está lendo isso. 

E pra quem não lembra e consequentemente não entendeu a graça dessa história, é que a outra pessoa é a minha ex, Dominique.

No exato momento em que Dominique (a recente) e eu nos separamos, eu saí chutando tudo que era latinha e sujeira e olhando pros céus. "SÉRIO MESMO?". Por vezes, tenho a certeza de que o universo gosta de tirar uma com a minha cara. Deve ser engraçado, sou um cara engraçado. Mas também não vou reclamar, porque no resto a maré está perfeita e favorável, tenho mais que agradecer. 

A questão não era nem coisas de sentimentos. Porque falo isso com muita tranquilidade: apesar da minha pequena solidão, eu me sinto tão leve e tão sem pressão, além de tão feliz comigo mesmo, que JAMAIS voltaria no tempo pra mudar alguma coisa. Pelo contrário, melhor do que estou nunca estive antes. Meu coração pode ser até fácil, mas também está solto, livre de culpas ou anseios gigantescos. Quer dizer, a vontade de amar é enorme mas ela não me pesa como responsabilidade constante. A questão é pelo simples fato do nome: qual a chance real de uma coincidência dessas acontecer? Se fosse Maria, Julia, Ana, Bia, Carol, um nome comum, qualquer um poderia viver situação parecida.....mas Dominique só comigo mesmo.

Dado este exemplo, já dá pra imaginar aonde eu posso parar com essas minhas histórias. Verdade seja dita, não sei bem como eu arranjo tais peripécias. Simplesmente me perseguem sem que eu faça muito esforço, e quando eu o faço geralmente é catastrófico o desfecho. E exclusivamente para mim, como de praxe. 

Também cabe ressaltar, mais uma vez, que o resto vai muito bem. Ao que parece, finalmente encontrei o ponto de equilíbrio pra me dar bem na faculdade, e to evoluindo minhas composições e o acerto com o grupo pra gravar, só me falta o tempo que pacientemente vem chegando, então logo estarei de volta às boas com o estúdio. 

Mas o que me levou a vir aqui, claro, são essas filosofias baratas que me são de algum valor sobre o tipo humano que me paralisou o pensamento esse dia.
E, como venho fazendo e disse que prefiro assim, me apego à arma dos poetas. Mas outra vez torno a proclamar: não ouso me conceber desta forma. Poetas têm o dom de brincar com os verbetes e as mesóclises apenas para descrever uma pedra. Ou simplesmente dizem que a pedra está no caminho e o fazem tão brilhantemente que quando damos por nós ela está removida. Poeta não tem noção de espaço-tempo, não tem limitação de vida. Então, estas coisas que escrevo jamais hão de posar como poesias dignas do estado de ser uma poesia. Nem eu, poeta. 
Poetas fazem poesias. Eu, escrevendo, faço relatos. Enfeitados pelos detalhes que eu gosto de perceber e tornar viventes. Mas, não mais que isso. Poetas fazem poesias. 
Eu faço música. É poesia de som, de harmonia. E letra também. Mas é outra coisa. Equivalente de beleza, mas outra coisa. E se aqui escrevo, e gosto, amo mais cantar e tocar. E me é diferente. Mas sigo ao relato:

Procuro entender bem, ainda, porquê razão eu já me pego pensando em tal pessoa. Conversamos, de fato, e muito. Mas o que é que ela tem, afinal, que me deixou assim? Passei o dia inteiro tentando desvencilhar-me de sua imagem nos meus pensamentos. Cheguei a perder o foco nas tarefas essenciais. Ouvi todas as músicas que amo e quando dei por mim me via cantando pra musa. Era digno de pena, não, pior! Era digno de que me acertassem com bigornas ou pianos de fazer inveja a Tom & Jerry.
Queria saber, do fundo do coração, se meu coração tem fundo. A piada é simples: se tiver fim pra essas loucuras que ele me arranja, então em algum momento posso descansar e esquecer disso tudo, certo? Sim, a piada foi horrível. 
Queria saber, mais mesmo, se já não fiquei assim antes e a memória, por motivos inteligentes de orgulho que nesses momento parece que eu esqueço que tenho, apagou. Pior é ter certeza que não, que agora a coisa realmente tá inexplicável. Todo mundo se sente assim o tempo todo com tanta coisa, quem sou eu pra querer descartar o fato de que deve ser só uma coisa momentânea que me passa?
Fato, mesmo, é o inegável: a garota é demais. E gostaria muito de ter uma chance pra aproveitar isso na minha vida. 
 Se ela não me escreve aquela carta de amor, como diria mestre Leoni, que mais faço eu que não tentar escrever pra ela?

E dito tudo isto, mais o que não foi dito mas se levou a concluir, acho que posso me derrubar e sonhar com um dia bom pra amanhã.



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