Hey, você aí

Não, não quero seu dinheiro.
Estava mais pra dizer 'Hey Jude', ou algo assim.
Bom, este blog é sobre mim. Não apenas eu, mas o que penso, sinto, etc. Já foi meio invasivo, já foi vazio. E no fundo ainda é legal, pra mim. Meu cantinho de desabafo e filosofia, se assim posso dizer.
Eu sou um livro aberto. O que quiser saber, pode achar aqui. E o que não conseguir, é porque ainda vamos nos esbarrar por esta vida irônica.

The Beatles

The Beatles
Abbey Road

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Deixe seu rancor na porta

A entrada é franca, com toda a certeza. 
Mas só no que tange ao seu bolso. Aliás, se puder, deixe todo o conteúdo dele do lado de fora também.
Jogue fora seu medo. "O medo de amar é o medo de ser livre".
Aqui, sem muito aprofundar, rebusquei a riqueza das minhas vivências e conclui os desfechos de muitas histórias. Não só minhas. E fico pensando nisso. 
Mas pra entender que tudo tem seu começo, fim e porquê, tem que se deixar muita coisa pra trás. 

Então antes de entrar na casa da sua vida e preparar o futuro, você deixa de lado tudo aquilo que compromete o seu entendimento do mundo. 
Quer dizer, o que é crescer se não traçar um caminho novo nas mesmas escolhas? Porque a gente não pode se iludir de pensar que vive esbarrando em situações diferentes o tempo todo, não mesmo. Tudo é muito igual, tudo remete aos mesmos princípios cíclicos: o contexto varia apenas no que tange as consequências e os caminhos que você tomou; mas os valores que fazem de você quem é e consequentemente definem suas escolhas e suas reações com as adversidades são essencialmente os mesmos. Claro, há diferenças. Muitas vezes essas diferenças são importantes até, e redefinem nossas escolhas. Mas ignorar a grande e fundamental semelhança de tudo aquilo que nos é imposto pelo acaso e pelas consequências do nosso acaso é ignorar as leis da natureza, o caminho certo da vida e do universo.

Como posso explicar? Eu gosto de pensar que todos nós somos capazes de seguir em frente na vida, sendo que seguir em frente não significa necessariamente atravessar uma rua reta esperando o sinal dizer que você pode: mas na verdade disparar acelerado numa espiral ascendente em loops e mais loops infinitos. Tem a tal porta de que tanto falo. Várias e várias dessa mesma porta, pelo caminho. Você só atravessa mesmo quando se dá conta da presença dela. Quer dizer, isso em teoria. Sei dessa porta e vivo de cara com ela, tentando atravessar. Mas não sei se já consegui.


Essa porta eu gosto de chamar de destino. Mas não qualquer destino. O que a gente quer. Cada vez que ela aparece você pode estar preparado ou não pra atravessá-la. Porque de fato, tempo corresponde apenas ao espaço percorrido da espiral: tudo aquilo que já foi é passado que aumenta em progressão tão veloz quanto a de cada passo dado que é o presente - tão fugaz quanto se possa imaginar e talvez impossível de ser marcado (nosso tempo de reação marcaria o presente no passado), enquanto tudo que ainda se caminhará é futuro diminuindo de distância nesta mesma velocidade. Então não posso falar que gostaria de estar assim no futuro se o futuro é só tempo e o que determina mesmo sou eu atravessar as portas do destino que desejo. Futuro é só tempo. É só medição, melhor: datação. Destino é fato, incontestável.

E destino não se alcança vivendo no passado. Passado é aprendizado, é orgulho dos atos bem feitos e reconhecimento dos erros cometidos. Mas não pode ser o centro. Que direção você espera tomar numa ascensão se apontar pra baixo? A vida não é mão dupla; não tem essa de voltar atrás.

Das coisas que vivi, eu acumulei poucas certezas. Vi pessoas que estimei muito como grandes amigas se deixarem levar pelo tempo por razão alguma e sumirem, ou mesmo revelarem-se apenas máscaras que não sabem lidar com a vida e nem nunca me foram honestos. Vi e vejo, a todo tempo, gente nova que me faz acreditar que cada um de nós é especial e pode ser incrível por si só e que conquista o seu espaço na minha translação de existência. E vi gente com que eu tinha rusga sem motivo me ensinar grandes lições de valor, e me mostrar que tinha mais em comum do que coisa pra distanciar. Simpatia é instantânea mas transitória: essência é o que define. 

Vi, dentre essas pessoas, muitos cometerem os mesmos erros que eu. Ou pior, se convencerem de que não eram capazes de fazer algo bom que fosse. Há extremos pra tudo. E por vezes me comparo com essas pessoas. Não quero soar como dono da verdade, mas sinceramente não ter luxos e ter certo azar no amor faz você ser mais endurecido: nunca me faltou o básico pra vida mas me impressiono com a capacidade de diversos seres humanos de não se dizerem capazes às vezes das tarefas mais simplórias e dos "sacrifícios" necessários para as mesmas. Quer dizer, essas pessoas realmente são mimadas a ponto de perder as capacidades ou realmente tem psicológico fraco? Nada como banho frio pra ter anticorpo, essa é de lei da minha família, e não me refiro só a doenças..
Não é nem bronca minha, mas, se já é difícil talvez deixar o passado pra trás, imagina se a pessoa não é capaz de acreditar no que é capaz ou largar de mão das futilidades que a atrapalham? Mas vai fazer entender...

Talvez o ritmo de cada um não explique como cada porta é atravessada. Talvez nossas escolhas removam as portas ao invés de nos revelarem seu interior. Não, com certeza é isso que acontece! 

Mas fato é, e isso eu aprendi, que não podemos esperar coisa boa chegando com raiva. Frustração é normal, mas só se apaga com fé e esperança - de nada adianta esperar algo bom quando não nos sentimos bem e não estamos capazes de tirar proveito do que vier. 
Como é que se quer coisa boa se não estamos plantando o bem?


Então finalizo minha filosofia mendigante da madrugada: deixa o rancor na porta. Aí você entra.



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