"Adeus."
É tudo o que vejo, em todos os cantos.
Anunciados, atrasados, na eminência de acontecer. "Adeus, tenho de ir."
Será que fomos feitos para as despedidas? Não sei se é bem o momento da minha vida e por conseguinte o daqueles que me cercam, mas não me lembro de ter me visto cercado por tantas e tantas despedidas em vida.
E de certa forma, isso me assusta.
Bem verdade que o mundo, apesar de limitado, tem diversos caminhos os quais temos que seguir por conta própria, queiramos ou não. Pra cada escolha que façamos (ou das que nos são permitidas fazer, mas isso é outra história) haverão caminhos perdidos. Caminhos com vivências, sentimentos, pessoas. Adeus a todo caminho anterior pra seguirmos outro, assim é.
Mas esse lado talvez seja tão familiar que não sentimos este peso. Mesmo a morte, caminho inevitável de quem vive, tem uma despedida tão breve quanto trágica. Por mais que nos apeguemos, aprendemos a deixar pra trás o desespero e o medo da falta de alguém. Guardamos as lembranças (estas sim, indissociáveis da alma!) e, passo a passo, voltamos a seguir na direção errônea que nos aprouver.
O que me faz refletir, entretanto, é a despedida incerta.
Qual a necessidade do clima fúnebre em separações curtas? Será que gostamos do drama? Será um medo surreal que se desenvolve em conjunto com o nosso apego por terceiros?
Não sei. Não sei mesmo.
Pode ser um complexo de progenitor. Mania de pai e mãe. Especialmente de mãe. De tanto sermos alvo desse comportamento, acabamos por replicá-lo inconscientemente.
"Vai que." Exatamente isso o que pensamos. "Vai que dá uma merda...."
Será que desejamos que dê? Não duvido que muitas vezes sim. O ser humano é um poço de surpresas, e em sua maioria, ruins.
Seja lá como for, é um drama e tanto. Parece que é mais fácil tudo dar errado antes de se reencontrar com a pessoa que se afasta.
Isso quando a ironia da vida sempre nos faz cruzar o caminho daqueles a quem nós já desejamos "adeus" com um tom de quem ameaça outra pessoa de morte.
Não consigo ser assim.
A vida me parece triste quando pautada por tamanha resignação ante às incertezas. Ainda mais quando estas podem ser facilmente contornadas por tudo aquilo que se tem de certo. Nem toda partida é irreversível, dado que nem todo destino é a morte. O que são algumas horas, meses ou anos pra quem tem décadas a viver?
Deve ser culpa da nossa incapacidade de ver a longo prazo. Miopia de planejamento. E incredulidade nas coisas que sentimos. Ou só excesso de afeto. E aí, se for o caso, sou cruel de julgar.
Mas ainda assim, não consigo achar normal. O que tanto tememos? Tantos e tantos motivos, cuspidos com aflição por quem recebe a pergunta. Até razoáveis. E vai saber por quê, mas soam pífios. Não convencem. Ainda parece irracional.
Eu acho que nunca disse um "adeus" na vida. Digo, de dizer seriamente, no sentido literal. Nem pra quem viajava. Nem pra quando eu me separava das pessoas e lugares.
Talvez eu ainda acredite que o amor, em todas as suas formas, é eterno.
E isso até faz sentido. Amor aos amigos, aos colégios, casas, parentes, e amores propriamente ditos. Eu acho que nunca tracei o ponto final das coisas às quais me apeguei. Sempre deixei na mão do destino. Mas não da mesma forma que critico.
Enquanto vejo as pessoas encolherem suas cabeças assegurando que não podem ter certeza sobre o retorno das coisas que lhe ficaram para trás, eu deixo que o universo guie o resto das minhas histórias sem ter a certeza de que eu poderei voltar à elas. E a diferença parece sutil, mas é crucial.
Não se trata de esperar que o que se perdeu volte. Se trata de você mesmo fazer o possível pra reaver o que julga poder perder pro destino.
Por isso, não me julgo capaz de dizer "adeus". Ao menos, não em circunstâncias claramente menos definitivas que o fim da vida. E isso já é muito.
Mal olho pra trás quando me despeço de alguém que seja. Tenho fé no que posso fazer, e nas coisas que sinto.
Sendo assim, quando for a minha vez de traçar caminhos pelos quais andarei sozinho, mais uma vez, peço a quem ficar pela estrada que não chore nem se desespere.
Sempre soube cuidar de mim mesmo, e estarei fazendo o possível, desde já, pra voltar. Saudade é um motivador fortíssimo.
E aos amigos que, pouco a pouco, vão partindo: até breve. Sabem bem que estarei esperando.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
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