Engraçado.
Não venho tendo muitos motivos para reclamar, tirando o de sempre.
É, o de sempre.
Aquelas velhas limitações, aquelas situações com que aprendi a conviver.
A vida me fez mais paciente, mais resistente e resiliente. Adaptável, essa é a palavra.
Aprendi a jogar o jogo, mesmo que ele mude as regras com relevada frequência e ocorrência imprevisível.
Mas, decerto, isso me incomoda um pouco. Não, talvez nem isso.
Essa é uma reclamação que talvez eu não possa fazer: me queixar do básico. Daquilo que todos nós, em mínimas condições de sobrevivência, somos obrigados a aturar.
Sei lá, parentes inconvenientes, colegas apáticos, sociedade atrasada. Todo mundo tem que aturar isso. Tem gente que inclusive, sofreu e sofre muito mais em função dessas variáveis do que eu jamais sofrerei em vida. Não é desmerecer minhas mágoas, é só não enxergá-las com um complexo de auto-piedade exagerado, um vitimismo perigoso e conveniente pra quem quiser sentar no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar (não pude resistir).
Mas se a vida me fez paciente, de natureza sou impaciente. Resistente e resiliente, mas sem saco algum. Eu aprendi a segurar a onda, a ter calma, não nasci sabendo. E justo o contrário, no meu instinto mais primordial eu tenho vontade é de sair dando voadora.
E a vida no momento, tão boa como tem sido, ainda não está o 100% que eu quero.
Provavelmente é o 100% que eu posso, que me é possível para o momento.
Cara, como isso é irritante. Profundamente irritante, enlouquecedor.
É óbvio que eu não vou dar um ataque de garoto mimado. Mas irrita ficar esperando calmamente pela hora certa para o grande salto, a grande escapada.
É o mal da vida antes agitada e caótica. Te coloca inquieto, ligeiramente incapaz de aproveitar a calmaria. Na verdade eu a tenho aproveitado muito bem, até. Mas tá entrando aí nessa conta também a minha impaciência, e o meu pouco perfeccionismo. Quero que fique logo perfeito, que eu não consiga encontrar nada pra reclamar. Nem mesmo o básico.
Devaneio idiota, sem dúvida. Sempre vai ter algum problema. Eu não sei, entretanto, se eu gosto de achar defeitos pra consertar, ou se vou aprender a relevar 100%, mais do que faço.
Preciso voltar a caminhar. Clarear a mente, organizar as ideias. Deixar fluir.
sábado, 18 de julho de 2015
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