Numa gaveta dessas aonde eu largo as meias.
Apertada e bagunçada, mas funcional
Como tudo que a permeia,
E como a vida que levo.
Deixei o lirismo à espera
Como a roupa velha que não lembro de usar
Enfurnada no canto que eu não vou alcançar
Se não estiver disposto
A arrumar primeiro as meias.
Deixei o lirismo à seca
Como o pó que tem atrás do meu armário
Que lá se faz rei e proprietário
Já que não vai sair
E nem precisa.
Deixei o lirismo à míngua
Como as traças que caçam restos dos meus livros
E na falta deles morrem ainda nos ninhos
Já que o meu lirismo
Não tem do que comer.
Mas a droga do lirismo passa fome
Passa sede solidão e desespero
E ainda assim não pede arrego
Teimoso e cabreiro, puxou o dono
Fez-se poema pra me tirar o sono.

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