Hey, você aí

Não, não quero seu dinheiro.
Estava mais pra dizer 'Hey Jude', ou algo assim.
Bom, este blog é sobre mim. Não apenas eu, mas o que penso, sinto, etc. Já foi meio invasivo, já foi vazio. E no fundo ainda é legal, pra mim. Meu cantinho de desabafo e filosofia, se assim posso dizer.
Eu sou um livro aberto. O que quiser saber, pode achar aqui. E o que não conseguir, é porque ainda vamos nos esbarrar por esta vida irônica.

The Beatles

The Beatles
Abbey Road

quarta-feira, 5 de março de 2014

(Re)Pulso Vital

Batidas.

Acabam de começar.
Acertadas, precisas. Cronometradas. O relógio é um diário da existência. 
Os ponteiros andam conforme têm que andar. E assim foi, é e será. Não haverá quem possa atrasar o tempo, nem quem possa fazê-lo se acelerar conforme sua vontade. Não nasceu nenhum salvador, e se nascer tentarão matar.
O tempo são batidas compassadas que ditam a possibilidade de continuar o espaço. A vida, o agora, se faz durante estas batidas. O tempo é o caminho do acaso, templo do destino e berçário das oportunidades. O tempo corre, deve-se alcançá-lo.

Batidas. Mais e mais batidas.

O relógio marca as batidas. A vida corre por elas, nas veias. O relógio marca a vida, mas a vida não é apenas uma medição. Ou seria, literalmente falando. 
Mede-se o pulso. Pulso é tempo. Uma forma deste. 
Mede-se o pulso, constantemente.

Mede-se o pulso, erroneamente. 

Medimos tudo. Anotamos, classificamos. Somos classificados. Lemos classificados.
Medimos tudo, temos os dados. Analisamos, temos respostas. Conclusões e propostas!
Respondemos, concluímos, propomos, solucionamos. As veias são as mesmas pra qualquer um, o tempo é mesmo para qualquer um. 
Vivemos ou sobrevivemos? Sonhamos ou nos limitamos?

Batidas, agora menos, diminuindo.

Mede-se o pulso, novamente. Não há ânimo. Risos fáceis dominicais. Descansamos só o corpo. A frustração nos cansa antes de despertarmos. As veias vão se entupindo. O relógio não parou. O fluxo é constante.

Batidas aceleram perigosamente.
E então é silêncio.

Sinto a dor deste e de tantos tempos, jogados fora para se adequar a um suposto mais importante. 

Que meu tempo só pare para o meu pulso, dado que este só se freará para o tempo. Que em um vão e singelo momento eu tenha congelado o contínuo espaço, na satisfação de um sentimento caloroso. Que minha memória o estenda por mil vezes. Que ele se repita. Com a constância do pulso. 


Que sejamos o pulso sonhado, intensamente. 





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