Não sei bem por onde começar. Tentarei pelo princípio das memórias que me remetem a você. Farei com que elas pintem um quadro, um retrato seu. Não chegará nem perto dos que você faz, ou os que seus colegas também podem fazer. Mas é o que posso, ao menos por enquanto. Como músico, talvez me coubesse escrever uma canção. Com o perdão do trocadilho legionário, ainda é cedo, e talvez me faltasse a precisão de te conhecer mais a fundo para fazer uma melodia digna. Deixo a canção para o que o destino nos reservar vivenciar, e assim será. Então, dado que não sou poeta nem pintor, faço este retrato seu em prosa. Que por um instante você se sinta como gosta ao ler isso algum dia, e então eu já estarei satisfeito.
Antes de qualquer coisa, deve ser dito: eu já estava de olho em você muito antes de chegarmos a conversar. Sempre notava sua presença, naquele ponto que sempre fica tão lotado e abarrotado de pessoas que mais parecem preocupadas com o clima do que com seus compromissos próximos. Sempre notava seu jeito diferente. Você se destacava, já no visual. Devo admitir minha fraqueza inconsolável para com as ruivas. Mas não era só isso. Seu jeito de vestir era expressivo. Delicado como as flores que bordam suas vestes, incisivo como o ar que circula ao seu redor.
Eu não sabia dizer exatamente o que era, mas você sem dúvida se destacava ali naquela multidão, pra mim. Devia ser a perspectiva, ou a luz.
A data me foge, neste instante. Acredito que tenha sido antes de dezembro. Talvez esteja aqui registrado, ou em conversas com amigos. Só sei que o universo quis que cruzássemos os caminhos. E eu não sou de dar as costas em tais circunstâncias.
Não lembro bem o que usei como contexto. Se inventei algo ou simplesmente comecei a conversar com você. Provavelmente foi a segunda opção. Forcei a memória alguns instantes e lembrei que foi por aí mesmo. Com o meu descaramento característico, aproveitei o fato de estarmos lado a lado numa van e logo lhe dirigi a palavra, citando sempre tê-la visto pelos pontos da UFRJ.
Você riu pra mim, e começamos a conversar. Fiquei impressionado em como você respondeu bem à minha abordagem nada discreta e de claras intenções. Mais ainda, fiquei maravilhado com seu sorriso. Você nem faz ideia, mas seu sorriso é genuinamente lindo e precioso. Realça toda sua beleza natural. Faz seus olhos verdes brilharem como esmeraldas. Faz você a menina mais fofa do mundo, e olha, não uso muito essa palavra com frequência.
Ao fim de alguns minutos, eu já te achava o máximo. Tive que descer pra viver a minha vida. Peguei seu contato, e esqueci. Paguei o preço por isso: foram alguns meses isolado do mundo romântico com foras atrás de foras. Ficava pensando o que teria acontecido com você, e porquê não nos encontrávamos mais uma vez que fosse. Imaginava tudo que eu poderia e deveria ter dito, procurado criar. Tudo era preto e branco, e sem direito a elogios.
E aí, semana passada, a sorte quis sorrir pra mim de novo.
Eu e meu violão, esperando a condução adequada. Olho pra uma van, apenas avaliando se existe alguma chance de entrar nela. Nego. E só então reconheço o seu retrato dentro dela.
Já é tarde, o veículo parte.
Então entenda a minha tristeza naquele momento, para que possa vislumbrar entender a alegria de quando lhe vi ainda a meu alcance, poucos minutos depois!
Alegria esta que você, com preciosismo de lembrar tudo que podia ser lembrado de meses atrás, fez ganhar mais vida e mais brilho.
Todo o resto se passou em uma cena que não poderia ser capturada nem por fotografias. Algo que Da Vinci e Picasso dariam diferentes interpretações tentando aproximar-se em essência. Nada chegaria perto, não há gênio neste mundo que possa fazer o registro em óleo ou carvão ou aquarela daquele momento.
Com todo respeito aos mestres, ainda não será no meu tempo de vida que expressarão o aroma, o gosto e a sensação do toque roubado, ao qual você riu. Ah, o seu sorriso. Eis o quadro mais belo que me passou à vista em anos!
Então cá estamos. E eu não sei o que será desenhado. Pretendia e parecia saber até alguns dias atrás. Hoje eu não sei. Sou afobado, sou novo nessas composições. Então lhe peço que ensine sua paciência, seu tempo perfeito para acertar a mão e retocar a paisagem que podemos visualizar. E peço que mantenha esse seu sorriso. Não me faltaria mais nada.
sábado, 1 de março de 2014
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