Este é o Carma, que não pede passagem pra ser apresentado. Muito menos respeita as vontades alheias.
Fato certo: o Carma existe, e pega a todos.
Não tem hora nem lugar exato, mas sempre tem razão. E a razão é simplesmente o fato de que não existe só bem e só mal em uma vida. Ou em todas as vidas, que seja.
Nossos caminhos são linhas constantemente desviadas pela forma com que interagimos com os acasos que nos são fornecidos. O entrelaçar destes caminhos costuma ser o determinante dos acasos, aquilo que lança as oportunidades para fazer escolhas e traçar assim um caminho diferente. Caminho este que não só pertence a cada um, mas a todos que foram alvos do entrelaçamento: um mesmo acaso e uma determinada escolha geram diferentes vivências e resultados para os envolvidos de forma individual num caminho que lhes é conjunto até o próximo acaso e consequentemente próxima escolha que rompa ou solidifique essa conexão.
Dito isso, é perfeitamente possível que alguém ande em círculos a vida toda; simplesmente por tomar a mesma escolha direcional nos mesmos acasos.
A questão que se levanta é: por quê surgiram os mesmos acasos? De modo geral, não existe uma explicação 100% racional e convincente que possa dizer com precisão o motivo pelo qual tamanha repetição possa ser possível por diversos momentos em vida ou mesmo a vida inteira. Trato agora a questão em base do que acredito pelo que eu mesmo aprendi.
Mas entendam, não que eu queira soar autoritário, o fato é que o que digo me parece tão certo que dificilmente a concordância ou não alheia altera a realidade do mesmo. Não é por presunção minha, é simplesmente como o Carma funciona.
Quando você faz uma escolha inadequada que prejudica a você ou outras pessoas, um acaso compensatório é criado no universo pra balancear a ordem e dar uma nova chance de acerto. Basicamente, se você erra consigo mesmo ou se sacrifica pelos outros, seu prejuízo pode vir a ser compensado mais a frente, se souber aproveitar a chance dada. Mas se você tira vantagem do erro alheio ou age de maneira vil com os que te cercam, fatalmente a sua queda vai chegar se você não abrir o olho.
Até aí, percebam que é tudo um jogo de possibilidades: com certa carga de experiência e um olhar mais atento, é possível acertar o próprio caminho sem prejudicar os outros sem ter que passar por sofrimento algum e também ser um verdadeiro vilão de telenovela sem que um castigo lhe alcance. Mas, embora a experiência possa ser facilmente adquirida após alguns erros e acertos ainda em juventude, o olhar atento não é algo que todos possuem naturalmente. Pior, este olhar atento é algo que deve estar sempre se adaptando: diversas situações que parecem únicas podem ser na verdade apenas variações de um mesmo padrão já vivenciado, padrão este ao qual já se tem uma resposta (certa ou errada) em nossas mentes. Diante de tal fato, um olhar que não se adapta é incapaz de aplicar os conceitos aprendidos com as escolhas anteriores em situações similares, o que aumenta o risco de escolhas ruins que poderiam ser evitadas.
Ou seja, de um modo geral, o Carma pega 99,99% de todas as pessoas do mundo em algum momento. Ninguém consegue, a vida toda, ter um olhar tão perspicaz a ponto de sempre identificar um acaso e suas possíveis consequências e como tirar bom proveito dele para si ou para os outros. Fatalmente, ao invés de podemos optar pela compensação dos atos anteriores, somos forçados a abraçá-la como destino certo: quem sofre ainda pode vir a sorrir, quem sorri hoje ainda vai sofrer. Nem só bem, nem só mal. Uma dicotomia constante e necessária.
Pode ser de qualquer forma. Um filho que se desentende com os pais pode se tornar um pai que discute demais com os filhos. Um cara infiel pode se tornar o corno mais sacaneado da praça.
Normal.
O que é meu tá guardado. O que é seu tá guardado. Todo mundo. O Carma que sabe.

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