Lá estava ela.
Concentrada em mim e claramente sem ação.
Eu ali, no palco, interpretando pra assustar. Aquela velha recepção dos novatos.
Uma reta de distância no olhar. Nem notei.
Lá estava ela.
Centro da roda, com o nome e procedência gritados.
Eu, que estava distraído, até gritei pra ver.
Nos conhecemos, tive uma boa impressão.
Lá estava ela.
Aproveitando o tempo vago.
Eu também.
Conversamos sobre a vida além da conta pra um primeiro papo.
Foi bom.
Ela de novo, fugindo da raia.
Eu, terminando de participar.
O ônibus embalou mais uma conversa.
Os olhos dela brilhavam.
Eu senti algo.
Ela no corredor.
Eu também.
Várias vezes.
Ela chegando.
Eu esperando.
Senta, conversa. Mais uma das nossas, daquele jeito nosso.
Os olhos de novo.
Eu sinto mais forte.
Temo agir errado.
Ela manda uma mensagem.
Eu respondo.
Por horas a fio, todo dia desde então.
Ela me encontra.
Levo pra almoçar.
Quase faço uma besteira.
Vejo que ela não quer uma besteira.
Mas a mim, talvez.
Ela me diz que está livre.
Eu revelo que já planejava estar.
Nós nos preocupamos.
Nós nos relaxamos.
Nós resolvemos sair.
Ela chega de bicicleta.
Eu tinha ido a pé.
Nós andamos e conversamos.
Nós nos divertimos.
E nós nos beijamos.
Nada tinha sido igual a esse beijo.
E os que vieram em seguida.
Ela sabia que ia acontecer.
Eu sabia que não poderia evitar.
O destino nos deu motivos pra ver: era pra ser.
Mas fomos nós que escolhemos querer que fosse.
Fomos nós que, diante de um caminho sem volta, decidimos seguir.
Fomos nós que decidimos deixar acontecer. E se apaixonar.
E até se amar.
A vida é um emaranhado de estradas e caminhos que, usualmente, não levam a lugar algum, e por isso seguem infinitos em todas as direções.
São os poucos caminhos sem volta que fazem a vida andar.
E ao olhar nos olhos dela, eu sei que não vou querer voltar.
quinta-feira, 5 de maio de 2016
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