Essa história é algo que venho bolando desde, sei lá, meus 15 anos.
Era algo que eu pretendia colocar em quadrinhos. Ou mangá. Mas o nível de habilidades ilustrativas requerido para o que desejo está bem além das minhas capacidades com o lápis. Por incentivo externo, acabei por me deixar escrever o roteiro, na esperança de que um ilustrador venha a meu encontro.
O que vem a seguir, e nos próximos posts que vierem com o título, é a história, contada da maneira que imaginei há tantos anos, e na qual mergulho frequentemente durante meus devaneios da madrugada e das horas vaguíssimas.
4 spirits tale:
Capítulo 1: O que é um herói?
2 colegas conversando, num bar. Talvez seja interessante mencionar, a título de compreensão de todos, que o mundo em que se vive está no abalo recente do surgimento de 3 heróis no Brasil. Os 3 tem feito boas ações tanto no país quanto ao redor do mundo, mas há muito debate sobre suas intenções e a legalidade dos seus atos. E é justamente sobre os tais heróis que está rodando a conversa dos nossos 2 sujeitos, aqui mencionados. Enfim, prestemos atenção:
"Ok, deixa eu começar de novo pra ver se você entende a lógica" - diz o primeiro, visivelmente estressado.
"Prossiga" - o segundo é mais tranquilo, porém sério e fala em tom cético.
"Os caras tão ajudando, porra. A Cupido, a Iara e o Gaia."
"Sei."
"Porra, ce quer provas? A Cupido dissipou um furacão na Malásia! A Iara abasteceu todo o Sertão e ainda foi fazer o mesmo no Saara! O Gaia reflorestou diversas áreas do país!"
"E..?"
"E o quê caralho? Quer mais o quê?"
"Já parou pra pensar que eles só agem na consequência?"
"Quê?"
"Vamos lá, minha vez de mostrar a lógica. Sabe as emissões que promovem o aquecimento global? A falta de distribuição de renda e de obras não marketeiras em infra estrutura? A vista grossa com o agronegócio e a predação das subsistências?"
"Sim.."
"As respectivas causas das consequências que eles resolvem."
"E..?"
"E aí que eles não resolvem o problema em definitivo. Só vão lá aparar as pontas."
"Mas isso já ajuda as pessoas!"
"É, mas não resolve."
"Tá. Mas o que você quer que eles façam?"
"PORRA, ELES CONTROLAM ELEMENTOS NATURAIS."
Todos no bar se viram pra mesa.
"Me desculpa, perdi a linha. Mas porra, não dá. Os caras tem poder pra mudar o mundo de verdade. E eles ficam aí aparando ponta. Olha lá - a TV do bar mostra os 3 heróis posando lado a lado com o prefeito da cidade, que resolveu condecorá-los por mais uma boa ação - de braço dado com esse mercenário do Carlos Guerra! Esse desgraçado é responsável direto e indireto por centenas de mortes, diversos esquemas de corrupção e o empobrecimento geral do povo por aqui. E eles tão lá, do lado do cara, impassíveis. Faça-me o favor."
"Arthur, você tem razão de criticar, mas assim, o que eles podem fazer? Matar o cara?"
"Olha bem que não era má ideia."
Os dois riem. Arthur retoma:
"Mas falando sério, às vezes eu só queria ver esses crápulas pegando fogo. Como é que dizem os coxinhas mesmo? "Bandido bom é bandido morto". Aposto que se isso valesse não ia ter 10% dos ricos desses país. Aí chegam esses heróis aí, podendo botar ordem na casa e dar um motivo pros desgraçados se entregarem e andarem na linha, mas nããão, tem que ficar dentro da casinha. Tem que ser o exemplo."
"Mas tem que ser o exemplo, cara."
"Tem 200 milhões de exemplos nesse país. Todos acreditando nesse caminho bonito e justo que é a democracia. Uns 50 milhões aí passando fome, algo assim. E menos de 50 mil rindo disso tudo. Se banhando nesse sangue."
".."
"Mas deixa, um dia eles pegam fogo. Tudo pega fogo. E eu vou ficar rindo tomando uma cerva em casa."
"Quer saber? Fechou então. Openhouse do fim do mundo?"
"Com certeza. Breno, tô puxando o carro. Amanhã é batente."
"Vai na paz, incendiário."
Arthur sai do bar e segue pra casa. É próxima do bar, pode fazer o caminho a pé. Ele tem um perfil até comum de físico: peso próximo do normal, cabelo castanho escuro, barba que agrada à moda (apesar dele não ser do tipo que se preocupa com isso). Talvez o único destaque fora da média sejam seus olhos verdes, mas de resto é um sujeito na média.
Segue o rapaz, no alto dos seus 25 anos, pensando no mundo e no que dissera. Até que esbarra uma pedra vermelha fosforescente no caminho.
Há um brilho forte e uma explosão.
Mas a cidade é muito barulhenta às 10 da noite, especialmente próximo das baladas e bares. E por alguma razão, ninguém viu a explosão. E nem o Arthur.
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segunda-feira, 20 de junho de 2016
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