Hey, você aí

Não, não quero seu dinheiro.
Estava mais pra dizer 'Hey Jude', ou algo assim.
Bom, este blog é sobre mim. Não apenas eu, mas o que penso, sinto, etc. Já foi meio invasivo, já foi vazio. E no fundo ainda é legal, pra mim. Meu cantinho de desabafo e filosofia, se assim posso dizer.
Eu sou um livro aberto. O que quiser saber, pode achar aqui. E o que não conseguir, é porque ainda vamos nos esbarrar por esta vida irônica.

The Beatles

The Beatles
Abbey Road

sexta-feira, 10 de maio de 2013

V. U. R. A.

"Olá...

Bom, todo mundo aqui já tá cansado de saber quem sou eu, mas lá vamos ao padrão de novo. Meu nome é Calvin, to lá pelos meus 18 anos e não tenho carro, antes que me peçam caronas com a carteira que não vou tirar tão cedo...

Seguinte gente, eu fui numa festa hoje. Esparecer, ver os amigos de longa data que não se esbarram há alguns meses, e juntar o povo da faculdade. Parecia uma ótima ideia. E de começo tava sendo tudo ótimo mesmo. 
Aí começaram algumas coisas chatas. A organização da festa atrasou bastante, e como eu tinha me programado dentro de um dado horário, provavelmente não ia poder aproveitar a extensão dela por completo, até por questões de energia também já que acordei lá pelas 3 da manhã apenas com ansiedade por essa festa. As longas filas e a estrutura também decepcionaram pra fama que o tal evento tinha conseguido e me influenciado a espalhar, também.
Nada que boa música não resolvesse, principalmente ao lado dos melhores amigos que o mundo poderia ter me dado. Mas eu ainda estava levemente inquieto, e vocês sabem bem porquê.

Até que chegou uma menina que por quem, bom, eu não posso dizer que tenho aquelas paixões devastadoras que me levaram a chegar aqui ao grupo, mas, tenho um fraco e tanto. Um fraco bem forte, por assim dizer. Surpreendentemente, a presença dela não me inquietava tanto como esperado. Embora eu me corroesse de vontade de tentar alguma coisa e simplesmente não tivesse a mínima coragem. Estrago das decepções que vocês bem entendem meus amigos, a cara de pau que me era tão característica resolveu se esconder pra não doer mais o orgulho.

E ia tudo bem. Mas o tempo foi passando. Alguns rostos que eu queria ver não estavam lá e minha expectativa por eles me deixava nervoso. E o tempo passava e a minha hora vinha chegando. E brotavam malucos fumando diretamente na minha direção, perturbando não só a mim mas a todos os amigos e amigas que pulavam juntos alguns clássicos da infância.  A raiva subia, e isso me transformava numa bomba relógio.

Mas a explosão não foi um raiva. Pelo menos não contra ninguém que não eu mesmo. Procurando algumas amigas, recebo o recado: fulana ficou com fulano.

Fulana era a menina que descrevi uns 2 parágrafos atrás. Simplesmente legal. Não que eu me manifestar e tentar alguma coisa fosse dar resultado, mas não tê-lo feito veio me bater na consciência. Porém com desdobramentos muito maiores do que eu pudesse ser capaz de imaginar. 

A questão não era ela, a fulana, com sua beleza que até hoje não encontrei semelhante. A questão não era quem ficou com ela, ou eu não ter ficado. Nada disso. A questão, irmãos, vem na razão de estarmos todos aqui. Esperamos demais.

E não estou falando de esperar pelo tempo, embora também o façamos com excesso às vezes. Me refiro à expectativas. Como vocês, eu tenho esse vício acoplado ao meu maior vício, o de ser romântico. Esperar mesmo que seja com o mais ínfimo pedaço de alma que eu vá encontrar, na rua em qualquer momento, e principalmente nas festas com mulheres que possam ter algo em comum comigo, que eu vá encontrar alguém que corresponda aos meus sonhos mínimos daquilo que mereço pro resto da minha vida. 

Por quê diabos eu fico com isso na cabeça? Por quê acho que o amor da minha vida vai estar por aí pronto me esperando e eu tenho apenas que atirar pra tudo que é lado pra ver aonde dá faísca? 

Eu até perigo de perder o meu jeito de ser assim. Perdi a coragem de tanta mágoa que levei, perdi a certeza de tanto tombo que tomei. E pior, é só com essas coisas de amor, só pra me viciar mais ainda e me tornar dependente do milagre que nunca vem. 
Talvez ele não venha, ironicamente, porque eu não sou de acreditar em esperar que ele venha. Contraditório. Espero demais das pessoas mas não espero o tempo pra que elas me demonstrem alguma coisa. 
Vai ver também é esse meu jeito que não se adaptou completamente ao mundo amoroso. Se eu sempre batalhei intensamente por tudo e construí as coisas dia após dia, como posso confiar minha sorte ao futuro pacote perfeito presente de bandeja? Isso não existiu antes na minha vida nem vai existir agora. A questão é que eu mesmo complico tudo, entre esperar demais dos outros e não esperar nada em 5 minutos que sejam pras coisas aparecerem. Ser casual e esperar com felicidade na sorte que eu tiver, sem deixar de acreditar no que pode ser possível, mas não fazer disso obsessão me pressionando por burrice. 

Fazer essas coisas acontecerem é parte do meu objetivo, como membro desse grupo. Foi difícil assumir, mas sou um viciado no meu ultra romantismo. Não sei me desvencilhar dele em meio à tantas coisas boas que me aconteceram pra pensar. Podia ter dito cada momento da minha euforia, mas contei minha epifania de segundos. 


Obrigado, boa noite."



 Meu depoimento aos Viciados em Ultra Romantismo Anônimos. 

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