Estava cá, quieto no meu canto. Por um momento busquei uma memória. Me veio uma música do Vanguart. "The last time I saw you".
E daí foi complicado. A música fala sobre um cara que era apaixonado por uma garota, e conta as vezes em que ele cruzou o caminho dela na vida. Todas, regadas à loucura desvairada e azar exponencial. Ele nunca a teve. Ele sempre a quis.
Achei graça como isso me lembra de mim. E forcei um sorriso pra que não me fizesse em lágrimas ao relembrar de histórias parecidas dos amigos que vivem por aí. Gente que já tá de bem com a vida mas sempre retorna àquele amor do passado, perdido por aí e entregue aos ventos selvagens de uma calmaria qualquer.
Pensei comigo. Se podem eles estar assim, sentindo-se consumidos por esse passado que procuram como destino enquanto pareciam ter seguido em frente, então por quê eu não me sinto da mesma forma?
Foi a provocação devida. Às vezes eu também me sinto dessa forma.
Sentindo falta até das poucas mensagens que trocávamos ao final de tanto sentimento infundado (seria?). Sentindo falta de ouvir tuas histórias mirabolantes. E de te contar as minhas. Sem que de fato pensássemos em intervir. E quando pensávamos, nos provocávamos a tanto. E ficava nisso. Na provocação. No papo.
Eu nunca soube te ler. Eu só soube ler o que você escrevia.
Pelo menos, com o mesmo ceticismo que tive quando você se declarou de vez, eu o tenho agora pra dizer que não sabia te ler. Talvez eu soubesse, mas eu não sou capaz de acreditar nisso.
Nunca pude me esquecer, que apesar de tanto, foi nada.
É o nó que tenho na garganta e não sara por completo. É só ver você aí, por onde eu costumava te achar. "Tá viva." Deveria estar morta em mim, ao menos. Mas ainda vive, dentro da minha frustração. Dentro da constatação dos meus fatos. Faz sombra na minha cabeça quando estou solitário.
Você lembra daquela vez? A única vez?
Espero que se lembre. Não que eu tenha esperança que você ainda sinta o que dizia sentir. Mas eu gostaria de poder dizer que deixei uma marca em você que ninguém poderia apagar.
Eu nunca poderia esquecer, nem apagar.
Trocávamos ligações. Crédito acabando. O show das nossas vidas nos esperando, e lotando. A noite escurecia mais e mais. E, no exato segundo, o destino guiou os meus olhos. E os teus.
Eu te vi, cercada por família e namorado, em seu casaco rosa berrante. Tinha que ser. Só podia ser você.
E aí você me reconheceu. Você sabia quem eu era. Apesar das diferenças que estamos acostumados a ver em fotos, e de eu ter passado um bom tempo sem cortar o cabelo na época, você sabia quem eu era. Você não me decepcionou.
E você fez melhor. Você abandonou todos e veio correndo pra mim.
E eu corri.
E com o sorriso mais imbecil e sem motivo de todo o mundo, eu escrevo o seguinte:
Eu posso reclamar de tudo que vivi na vida.
Mas por um momento, eu tive você nos meus braços.
E apenas um.
Foi algo cinematográfico. Se minha vida por si só não poderia ser descrita por um filme qualquer, esta cena foi digna de todos os Oscars que já premiaram para cenas de casal.
Eu te abracei com toda a minha força e te ergui no ar. Você me abraçou forte também, e ria alto de felicidade.
Por um momento, eu te tive nos meus braços.
Você era tudo pra mim. Essa é uma verdade que eu nunca poderia refutar, reescrever ou tentar argumentar. Você era tudo pra mim.
Você pode não ter sido o motivo de eu começar a escrever músicas ou sequer o motivo de eu tentar algo na música. Mas foi o que me fez acreditar que eu estava certo em acreditar.
Você era o sorriso sem motivo pra quando as coisas apertavam. Você era o sonho irreal, caído do céu no meu colo, pra que eu pudesse esfregar em todas as caras e principalmente a minha, pois tanto fazia e faz o que os outros pensariam. Eu era quem precisava esfregar na minha própria cara que podia ser feliz, e você era isso.
Você era a essência do meu desejo. Você era o alvo da minha proteção pra quando eu te via se aventurar pelos caminhos errados. Você era o céu que eu tentava almejar. E você já tinha asas.
E não demorou muito pra você fazer como sempre fazia, e me dar motivos pra ir embora.
E eu fui desolado. Mas desolado mesmo. Acho que nunca, na minha vida, eu tinha sentido tanta tristeza. E ouvir Sir James Paul McCartney cantar "Blackbird" naquela noite foi a pancada mais forte que eu poderia ter levado. Foram rios, e rios, de lágrimas. Mas eu estava feliz. Eu sabia que tinha te encontrado uma vez na vida.
Naquela noite eu também tive muitos outros motivos pra sorrir. Conheci uma menina tão especial quanto você. Uma pessoa que viaja o mundo e vive longe, bem longe de mim, mas que um dia eu esbarro e passo um tempo curtindo discutir as causas existenciais do universo e tudo o mais que nos aprouver fazer. Uma pessoa que eu poderia, em qualquer momento, dizer que amo, mas com a tranquilidade de dizer que é um amor saudável que flutua e só se manifesta se assim for necessário. De certa forma, você me deu esse presente.
Mas é triste ver a sua foto e pensar o quanto você continua linda, ou até mais do que já era, e não conseguir trocar um "oi". Talvez eu não deva. Talvez não devamos.
É triste ter esse nó na garganta. Não engolir.
E da mesma forma que trouxe o assunto pra mim mesmo, ele se vai. Hoje mesmo, quando eu tiver feito tudo o mais que tenho que fazer, eu já terei esquecido. E até outro momento em que eu tiver de lembrar.
Eu só queria saber, um dia, se você também queria descobrir o que seríamos com uma chance de verdade.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
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