Não aprendi a dizer "não".
Pelo menos, não pra mim mesmo.
É sempre uma coisa difícil. Me negar algo. Tomar outro rumo.
Por vezes, com resignação, eu tomei. Mas acabou sendo bom e tal, era o que deveria ser feito.
O que me fez refletir, e pior - concluir - que em momento nenhum eu teria que ter me negado qualquer coisa se de fato eu já tivesse percebido que não era pra mim. Que não ia adicionar nada. Faltou maturidade, faltou racionalidade. Até esperteza. Até ouvir instinto. Faltou muita coisa. Sobrou burrice. Sobrou ter que se contentar com um "não" necessário.
Mas isso muda. Você cresce. Eu cresci. Continuo nesse rumo.
Porém hão de vir aquelas horas, e fatalmente virão, em que tudo fica difícil.
E não é pouco difícil. É muito difícil mesmo, de dar vontade de largar tudo.
E quantas vezes não pensamos seriamente nisso?
Quantas vezes não nos sujeitamos a ser alvo de nossas desconfianças próprias e nossa falta de fé?
É, fé. Em nós mesmos, no futuro e na sorte.
Não tem jogo ganho. Não tem essa de moleza. Tem dia que vamos ter que dar duro mesmo e não vai parecer suficiente. Talvez até não seja, pra aquele dado momento.
Mas aí eu te pergunto com sinceridade, o que se há de fazer então?
Okay, vamos ceder, vamos simplesmente desistir. Dá vontade mesmo. Vamos lá, largamos de mão.
Pior coisa a se fazer.
Sabe, tem coisa que não se faz. Essa é uma delas.
Não é nem pelo que você deixa de poder fazer pros outros. É mais por si mesmo.
No primeiro apertão que tomamos da vida, se fizermos assim, qual a lógica de esperar que no resto vamos levar tudo adiante com tranquilidade?
Tudo tem seu preço. E pra ter ganhos cada vez maiores, ele sobe. Pra termos a capacidade de agarrar com força as oportunidades que vão nos aparecer na vida, precisamos de golpes doloridos na nossa cabeça pra começar a forjar esse poder.
Ninguém nasce sabendo, muito menos fazendo o que bem entende.
Cada pedrada que tomamos é um "siga adiante". Na base da pedrada, e se doer você pode sangrar, você pode lamentar e chorar, mas você anda. E se não anda, sinto muito. Perdeu. Porque só vem pedra. Uma mais pesada que a outra. E mais lascadas. Mais pontiagudas.
Não aguenta? Sai. Mas saiba disso: não tem volta.
Desiste uma vez, desista sempre. Cada passo que se dá pra frente virão 500 pedras atrás pra te empurrar. Ande pra trás e elas vão na sua cara. E você não vai querer ver o resultado.
É difícil ver gente que desistiu assim dos apertos da vida e depois deu a volta por cima. A tendência é sempre esbarrarem com coisas piores e não serem capazes de aguentar - mais uma vez. Você pode ter seu intervalo, pegar um fôlego dessa malhação de Judas que todos nós passamos em algum dado momento. Você pode fazer melhor: perceber que não é bem esse o seu caminho e daí então se encontrar e viver novamente situações tensas mas com a gana de vencer e fazer acontecer.
Você pode até ser confuso e não saber o que quer. Justo, oras.
O que não dá é você traçar um objetivo e simplesmente dar pra trás. Você sabe que quer mas dá pra trás. Por quê? "Tá difícil demais." E tá muito fácil pra todo mundo né? Sou adepto de acreditar que existem certas coisas que temos a obrigação moral de fazer. Dentre elas, aquelas que escolhemos fazer pra nossa vida porque é o que queremos dela.
E no momento que a gente se desvia por escolha própria, morreu tudo.
Acredite num fato simples - as coisas se compensam. Tanta pedrada uma hora para de te acertar se você aprende a correr na direção certa. E daí é felicidade, pelo menos até o próximo corredor polonês.
Mas você pega o jeito, se insistir. Tá difícil? Sei o quanto pode ficar. Sei muito. E tem vezes que nem mesmo os melhores amigos de sempre conseguem dar uma animada. Aí eu atiro no escuro e acabo encontrando ao acaso gente querida e meio sumida, que me faz relembrar coisas importantes. E principalmente estas coisas todas que falo.
Algumas tem um jeito tão nobre de me tratar que por vezes, eu me sinto capaz de mover astros de suas órbitas.
"Você é excelente. Jamais duvide disso. A vida recompensa quem faz coisas boas."
Tenham alguém que lhes diga isso. Qualquer um. E que seja daqueles que você não fala ou não tem falado muito, pra te pegar de surpresa mesmo. Mais gostoso. Mais inspirador.
E daí parece fácil. Diria que fica, de fato.
E se não tiver, terá. Nessas horas que a gente precisa de uma palavra certa, é só saber procurar alguém pra compartilhar essa dor. E a gente sabe, por força do acaso.
Mas depois é levantar. Inspiração é conjunta mas o esforço é individual.
Seguir, e seguir. "I'm not a quitter". Repito pra mim mesmo nas horas que o tempo fecha.
Penso muito em dar pra trás. Não consigo. Not a quitter. Não desisto. Não tenho como.
Paro. Marcas nas costas, pernas e braços. Dói, mas não precisa muito fôlego, não tanto que me faça esquecer a urgência de meus sonhos. Meço a distância, ajoelho e cravo joelhos e punhos cerrados no chão. Levanto a cabeça, olhos fixos no objetivo. Not a quitter.
Vou. E você, vai?
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
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