E ia eu, vivendo mais um dia estranho, e de notícias um pouco quanto chatas.
Pra variar, é claro, as coisas não estavam caminhando conforme eu havia planejado, e eu já projetava situações caóticas pra muito em breve. Ainda projeto, pois só me cabe me preparar, o que podia ter sido feito pra evitá-las já o foi.
Ao horário do almoço, eu procurava um lugar pra almoçar. Mas meu restaurante favorito estava fechado (vai virar laboratório) e os restantes não me agradavam muito - fosse por preço ou qualidade. Além da questão, claro, de que a fila do bandejão estava enorme. Eu tinha tempo de sobra pra encará-la, mas se tem uma coisa que espírito de gordo pede em momentos depressivos é se empanturrar com o que mais gosta. E não vinha a ser o que estava sendo servido.
Por acaso, esbarrei com uma boa amiga, que ia dar um pulo no CCS. Queria companhia.
"Ao menos eu descubro um lugar novo pra almoçar".
E daí fomos. Eu já conheço o CCS relativamente bem, mas nunca tinha parado pra reparar nos restaurantes. São relativamente caros em média. Claro que comi no que eu julguei ser o mais barato.
Ela ia fazer exame, não podia comer. Me senti até mal, mas ataquei um prato assim mesmo. E fomos conversando, botando o papo em dia. Dali a mais um pouco, cada um seguiu seu rumo. Mas não é isso que vim contar aqui hoje.
Após essa pequena aventura que me gerou algum bom humor, aconteceu algo interessante.
Esbarrei - incrível essa minha habilidade e sua frequência de uso - com uma velha amiga de Pedro II. Não posso dizer que éramos melhores amigos, mas talvez bons amigos, que não tinham muito tempo pra passar juntos mas que definitivamente se entendiam.
Claro, eu notei a presença da menina muito antes que ela notasse a minha. Melhor dizendo, ela só me notou porque o meu primeiro instinto foi ir atrás dela e dar uma cutucada em seu braço, com um sorriso improvisado - não adianta, acho que não sei sorrir quando pretendo sorrir.
Pra variar, ela foi muito simpática comigo. É uma menina engraçada, e sincera. Usar menina é um pouco infantil da minha parte. Ela é mulher, mulher mesmo. Deusa grega, fazendo honra às suas origens.
E não exagero. Pelo menos, no meu ponto de vista, era a garota mais linda da minha geração no colégio. Se não a mais, uma das, tranquilamente e sem necessidade alguma de esforço.
Engraçado que já nos falamos tantas vezes desde que nos conhecemos e eu nunca me acostumei com esse choque que ela causa com um sorriso de orelha à orelha, e essa paz e alegria - curiosas, mas gostosas- que ela parece irradiar.
Havia um tempo que nem falávamos nem nos esbarrávamos. Então foi uma surpresa grata. Ao que, por dado instante, ela sugere de nos encontrarmos, almoçar e tal.
Eu aceito no mesmo instante, mas ainda cabreiro sem saber dizer quando poderia, de fato, realizar tal feito.
De súbito, eu a puxo e digo: "Sexta tá bom?"
"Pode ser sim =)"
Daí saí. Um tanto quanto confuso com o que acabara de acontecer. "Ela me chamou pra almoçar, oras, o que tem demais nisso?" - eu repetia isso pra mim mesmo. Mas alguma coisa me matutava na cabeça, alguma coisa me coçava e me deixava em estranheza com a situação. Algum detalhe que eu não pudera captar, algo.
Me joguei no banco de trás do ônibus, já rumando pro CCMN, pra aula que estava pra rolar. Joguei os pensamentos ao devir. Deixei lá fritando sozinhos, sem dar bola. Foi quando, como que num estalo, bateu na cabeça.
"Porra...não. Impossível. Jamais, não pode ser."
Comecei a juntar 2 com 2 de algumas histórias antigas. Não fazia muito sentido ainda, mas talvez fosse o que incomodava meu subconsciente batendo feito vizinho incomodado na porta de fora. E meu subconsciente ignorava, fazendo o tresloucado ir bater na porta dos pensamentos andantes que eu sei que controlo.
A deusa, em si, tinha uma característica marcante. Uma coisa que só ela tinha, e tem, que eu não havia encontrado nas outras pessoas que me cercaram nesta vida.
Me sobram amigos, e também, amigas nessa vida. Mas, mesmo as melhores amigas, nem todas me davam o cartão de passe "calor humano". Como vou explicar... Ela simplesmente me tratava de uma forma diferente. Eu não sei e não posso afirmar com certeza se ela na verdade tratava todos da mesma forma e apenas eu não estava acostumado. Fosse como fosse, o fato é que ela me via pra mais que um conselheiro das horas ruins ou um ajudante das notas necessitadas (até porque ela nunca precisou e provavelmente é mais inteligente do que eu). Ela parecia ver em mim o meu lado mais espontâneo, mais divertido, que é uma coisa que nem todo mundo consegue captar à primeira vista. Ou são pessoas perceptivas, ou são pessoas com quem eu tenho longa estrada.
E eis a questão. Apesar de nos conhecermos há um tempo considerável, nós nunca tivemos o devido tempo que eu poderia considerar suficiente pra que ela soubesse tão bem como explorar essa minha faceta mais despreocupada das coisas sérias da vida. Aliás, ela fazia isso com constância ainda nos tempos de colégio. E ela nunca fez o tipo perceptiva. Não que seja lenta, pelo contrário. Mas ela nunca pareceu do tipo que lê as coisas num olhar. E pra minha sorte ou azar, acho que ela não vai vir ler aqui.
Era até engraçado. Festa junina e eu tinha par? Esquece o par Calvin. Não foi uma vez só, lembro bem, que dançamos sem nem sequer combinar nada ali um forró bem engraçado. Ela sabe que eu gosto. Não sei quem disse, mas ela sabe que eu gosto.
Aliás, ela dança muito. E dança tudo.
Um dos muitos talentos da garota. Cabe relembrar um acontecimento lindamente hilário que nos envolvia.
Minha primeira namorada tinha tanto ciúme da nossa amizade que tão pouco era aproveitada que chegava a sonhar bizarrices que envolviam a doce deusa grega. Houve um evento, do SAAC (um grupo do colégio que nem lembro mais o que era), que envolvia dança e etc. Eu e minha namorada da época na platéia. E claro, a deusa dando um show de dança lá. Vários estilos.
Até que em dado momento, toca alguma música do High School Music. Infelizmente, eu sabia que era dessa merda.
E daí entram todas as garotas do grupo vestidas de líder de torcida. E ela, claro, linda, como uma típica cheerleader americana, desce com as pernas abertas pra frente e pra trás direto no chão. Meu queixo caiu na hora. Na hora, sério mesmo.
E a minha namorada viu, estarrecida.
"CALVIN!"
"Amor, não é por nada não...mas você pode aprender a fazer isso, um dia desses?"
Quase fui mutilado após isso. Mas valeu a pena, sem dúvida. Principalmente a visão.
Enfim, mas tirando esses poucos fatos, eu nunca tive muito motivo pra pensar em outra coisa que não uma pessoa que realmente ia - muito e até demais - com a minha cara.
E sendo sincero, não tenho.
Mas aí isso ficou na minha cabeça. E fui juntando essas histórias todas...esses pequenos fatos. Minha mente, mirabolante, construía por si só sua versão da história.
Parei por um segundo.
"Naaaaaaaaahhhh....bobagem. Só se eu fosse o último da Terra."
"Mas e SE..?"
"Não não, mas foi divertido pensar..rs"
Só não é tragédia grega porque ninguém se deu mal. Mas o bom é que alguém vai rir no fim da história. Provavelmente ela, dando seu ar da graça. Quem sabe o que tem no bandejão sexta?
terça-feira, 19 de novembro de 2013
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