Parei pra pensar hoje, não sei exatamente em que momento em que isso aconteceu.
Me peguei questionando tantas coisas em tantas pessoas. Pessoas que às vezes são como eu, e que ridiculamente cometem erros, quase gafes em suas vidas, tão fáceis de se perceber...
Exemplo: Eu sou artista. Me considero, ao menos. E tenho amigos artistas. Às vezes os vejo por aí, se afastando do mundo. Achando que a arte é um oxigênio além da metáfora.
"Vou me dedicar à carreira". Nossa, chega a doer no ouvido. Bato no peito pra dizer que tenho ou tento ter uma carreira também. Mas porquê me sinto diferente neste sentido? Quer dizer, eu tenho orgulho demais de ser artista, de procurar um caminho meu. Mas sei que em nenhum ponto eu deixei de ser quem sempre fui. Nada nunca subiu à minha cabeça, e mesmo que um dia eu tenha algo que me torne passível, não vai ser assim. Não é assim que eu sou. Nem nunca serei. Mas é triste, ver gente que se afasta completamente dos amigos, familiares. Amores também.
"Olha aqui que legal isso que eu fiz!".
Legal mito. Legal mesmo, meus parabéns. Sem ironia, sem zoeira. Mas aí vem um desses amigos que perdeu o bonde da carreira, por assim dizer, e diz a mesma coisa.
Vem a estrela e responde.
"Ah que saudade de você, cara".
Hmm, saudade. Vê se depois a pessoa corre atrás, marca algo que seja. Façamos o desconto: tem a rotina de estrela né. E realmente existe essa rotina. Realmente é apertado.
Mas sabe, você pode ver de longe quando existe boa vontade ou não.
Tem gente que, por outro lado, nem essa desculpa tem. Quem nunca teve aquelas amizades de interesse finito? Ou pior, as paqueras eternas?
Gente que te parece fiel, confiável até o fim dos tempos. Aí basta parar de se ver. Nem puxar papo via net rola minha gente, olha que desaforo. Desaforo maior são essas paqueras eternas. No meu caso é especialmente dolorido. Você não ouve "eu te amo" a primeira vez na vida pra ficar no "tenho namorado" e nunca nada acontecer mesmo com ambos solteiros, certo?
Dentre outras coisas que vejo e continuarei vendo acontecer, porque talvez a vida realmente não venha com um manual de instruções nem uma previsão das consequências das nossas escolhas.
Em compensação, tem gente que apesar dos erros se acerta. Melhor, tem gente que vive essas coisas todas e não erra. Tem artista que não perde os amigos nem fica de falsidade, meus melhores companheiros são assim. Tem gente que nunca encontrou seu amigo online ao vivo alguma vez na vida, mas mesmo com alguns afastamentos sempre tenta se fazer presente e é sincero.
Tem gente que não brinca com "eu te amo".
Sou feliz de ter conhecido gente que queima meus primeiros parágrafos. Porque é isso que eu procuro. Não quero mais amizades falsas, não quero gente que prefere sua imagem. Não quero gente que não sabe amar. Mesmo que a maioria seja assim fútil e nós sejamos iludidos de tempos em tempos a ponto de atribuir a tais pessoas a alcunha de amigos. Essa minoria que quebra os versos citados é que faz a diferença.
E pra essa maioria que tem muito o que aprender, justifico meu título com os versos de um mestre:
"Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração"
O tempo faz passar o indesejado. Então, se vive a vida nesta falsidade majoritária, quantas rodadas do tempo você precisa pra se tornar indesejado? Não só no meu coração, mas no teu próprio, porque se a vida não tem previsão, ela tem espelho pra se ver o passado.
Eu reflito. Nesta roda, quero consertar o que sair do eixo, mas que não tenha tido medo de entrar na roda antes.
domingo, 2 de junho de 2013
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