Deita, tempo, a cama é sua.
Engraçado como você parece não se cansar nunca, e segue sempre andando.
Isso é saudável. Na verdade, faz bem que você ande. Você talvez seja o único capaz de receber a alcunha de indispensável para toda a existência. Pois a existência está nos teus passos, e você segue andando, e trilhando-a. Teu caminho é o viver.
Mas você já andou tanto e muitas vezes eu me pego pensando nas mesmas coisas que pensava antes. Anda tanto tempo, anda tanto, e talvez eu não ande. Por vezes não ando mesmo, admito.
Tempo rei, sabes o que preciso. Deita. Só pra eu me acertar.
Quer dizer, pode vir pra ver que estou tentando. E tenho conseguido lá alguma coisa. Vai saber os planos superiores, o que Deus os demônios e o universo pensaram quando me incumbiram da tarefa de ser impaciente ao mesmo tempo que persistente. Persisto para colher longe, mas não sou paciente para esperar. E fico nesta tortura, persistindo e esperando, esperando você passar, tempo.
Então por um minuto, deita na minha cama. Só pra me dar o desconto de não esperar. Deita ali na minha cama, quem sabe eu vá deitar também. Só pra saber o que devia ter esquecido hoje e voltou a me incomodar. Só pra saber o que eu devia ter recuperado antes e sinto falta. Só pra saber o que eu ainda sei que não vou abandonar. E não posso abandonar.
Deita, faz-se. Tempo, se dê o tempo, me dê o tempo.
Só pra eu poder dizer de novo que não vejo a hora de você passar.
E então tranquilo você passa, ah, há de passar.
E vou lembrar de quem já foi, vou esquecer se precisar.
Vou viver pra quem vier agora, vou viver pro que virá.
E tudo o mais é você, tempo, que há de registrar nos teus passos por onde eu procurei me embalar.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
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