Hey, você aí

Não, não quero seu dinheiro.
Estava mais pra dizer 'Hey Jude', ou algo assim.
Bom, este blog é sobre mim. Não apenas eu, mas o que penso, sinto, etc. Já foi meio invasivo, já foi vazio. E no fundo ainda é legal, pra mim. Meu cantinho de desabafo e filosofia, se assim posso dizer.
Eu sou um livro aberto. O que quiser saber, pode achar aqui. E o que não conseguir, é porque ainda vamos nos esbarrar por esta vida irônica.

The Beatles

The Beatles
Abbey Road

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Deita, tempo

Deita, tempo, a cama é sua.
Engraçado como você parece não se cansar nunca, e segue sempre andando. 
Isso é saudável. Na verdade, faz bem que você ande. Você talvez seja o único capaz de receber a alcunha de indispensável para toda a existência. Pois a existência está nos teus passos, e você segue andando, e trilhando-a. Teu caminho é o viver. 

Mas você já andou tanto e muitas vezes eu me pego pensando nas mesmas coisas que pensava antes. Anda tanto tempo, anda tanto, e talvez eu não ande. Por vezes não ando mesmo, admito.

Tempo rei, sabes o que preciso. Deita. Só pra eu me acertar.
Quer dizer, pode vir pra ver que estou tentando. E tenho conseguido lá alguma coisa. Vai saber os planos superiores, o que Deus os demônios e o universo pensaram quando me incumbiram da tarefa de ser impaciente ao mesmo tempo que persistente. Persisto para colher longe, mas não sou paciente para esperar. E fico nesta tortura, persistindo e esperando, esperando você passar, tempo.

Então por um minuto, deita na minha cama. Só pra me dar o desconto de não esperar. Deita ali na minha cama, quem sabe eu vá deitar também. Só pra saber o que devia ter esquecido hoje e voltou a me incomodar. Só pra saber o que eu devia ter recuperado antes e sinto falta. Só pra saber o que eu ainda sei que não vou abandonar. E não posso abandonar.

Deita, faz-se. Tempo, se dê o tempo, me dê o tempo. 

Só pra eu poder dizer de novo que não vejo a hora de você passar. 
E então tranquilo você passa, ah, há de passar. 
E vou lembrar de quem já foi, vou esquecer se precisar.
Vou viver pra quem vier agora, vou viver pro que virá.
E tudo o mais é você, tempo, que há de registrar nos teus passos por onde eu procurei me embalar.


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