Lembrei de um sonho bom hoje. E olha que isso é raro né. Geralmente sabemos que sonhamos, difícil é saber o que sonhamos.
Simples o fato: era um dia perfeito. O sonho claramente em 24 horas. Provavelmente, em algum momento do meu dia, ele se prolongou comigo acordado, sem que eu percebesse. Fosse o dia ontem, hoje, não sei. Sei que é tão profundo no meu subconsciente que talvez viva paralelamente sem fim ao meu ser desperto, mas isso é suposição.
De fato, o que sonhei: acordava, em alguma cama espaçosa e bem macia. Minha. Olhava pra cima, o teto parecia do quarto dos meus sonhos. Parei pra pensar, se é meu sonho, então tem que ser o quarto dos meus sonhos. Dito e feito: pôsteres e mais pôsteres dos Beatles e outras bandas que amo, meus ídolos pelo teto e paredes do quarto. Bandeiras do Botafogo, meus instrumentos em posição de destaque. Daí de repente um braço delicado e quente me envolve pelo pescoço. Não estou sozinho na cama.
Me viro de lado. Minha namorada/esposa/mulher/amante, defina como quiser, mas minha. E eu, dela. Certo, claro, como água.
Como ela é? Linda. Os olhos profundos, intensos, procurando os meus. A pele macia, dourada do sol que caprichosamente deixara suas marcas de biquíni pra me tirar do sério a qualquer momento. Os cabelos longos, sedosos, caindo de suave pelo rosto, vindo se misturar e dar mistério, sem esconder o sorriso mais lindo deste mundo. As curvas sinuosas e sensuais o suficiente para que não houvesse necessidade alguma de pensar no mundo exterior, que o corpo dela fosse meu mundo. (Claro, não sabia eu o nome ao acordar, mas no sonho eu deveria saber há vidas).
Um beijo pra levantar. A vida acontece, estejamos distraídos ou não. E lá vamos dividindo as tarefas. Faço carinho no meu cachorro, ela vai trocando de roupa. Eu me distraio com a escultura que é essa mulher. Faxino rápido a sala, me deparo com nossos retratos. Minha pena de ouro, também. Diplomas em quadros, CD's (teria eu de fato sido bem sucedido na carreira?).
Sento, preparo o café. O acontecimento que chamo de amor senta ao meu colo, rouba uma torrada que mal levei à boca.
"Abusada".
"Que você ama."
"Não deixa de ser abusada."
"Posso abusar mais?"
"Tranquilo. Vou abusar mais tarde também."
"Eu gosto que você abuse."
E me rouba o prato todo, vai saltitante ligar a TV, ouvir o noticiário. Grita da sala enquanto eu ainda como alguma coisa, lavo a pouca louça suja.
"Amor, hoje tem jogo né?"
"Tem sim."
"Me avisa quando for 1 hora pra eu lavar esse banheiro logo, to com muita preguiça. Aí ele seca eu vejo o jogo com você."
"Pensei que você não gostasse de como eu fico assistindo jogo."
"Não gosto dos gritos perto do meu ouvido quando eu to de chamego né. Mas você fica muito engraçado torcendo, me divirto!"
"Beleza então meu bem."
Sento no quarto, já arrumado. Pego o violão. Repito uma harmonia continuadamente, balbucio palavras sem dizer. Penso em letras, em frases de efeito que reflitam o que sinto no momento. Sei que estou fazendo algo bom, só preciso focar. E vou ali tomando nota do que levanto como possível de caber na melodia. Estou ali, naquele universo. Canto algumas frases, cantarolando até apenas pra caber, pra saber aonde pôr cada coisa, até que percebo uma sombrinha que se estica no quarto. É ela, na porta. O sol lhe pega pelas costas, faz brilhar os cabelos. A divindade está calada, apenas observando com seus olhos devoradores.
"Tá quase saindo alguma coisa."
"Não tem importância. Achei lindo."
"Você é suspeita pra falar."
"Tem bastante gente que acharia o mesmo. Feliz sou eu que vejo na íntegra."
"Quantas músicas dediquei pra você ou contei sobre nós?"
"10 em 1 ano. Sucesso nas paradas do meu celular."
"E do Brasil."
"Metido!"
"Não posso?"
"Mais ou menos. Se é pra ser metido seja o tempo todo, você todo humilde querendo bancar agora Calvin? Seu besta."
"Sabe que to zoando."
"Sei."
"Vem cá."
Ela se atira encima de mim, mas mal temos tempo para nada.
"Esqueci o feijão!"
Almoço bem feito. Não que ela tenha feito sozinha, fui lá contribuir com minha especialidade: filé de peito de frango à milanesa. E comemos felizes.
O noticiário passa histórias sobre os últimos corruptos presos. Ela me vem nostálgica.
"Lembra quando fomos pra rua?"
"Jamais esqueceria. Teve tanta coisa boa, e tanta merda também."
"No fim deu tudo certo. Mas nem tudo dá pra erradicar né.."
"Tentamos e continuaremos tentando."
E assim foi um papo político, por meia hora, mais ou menos.
Hora do jogo. Primeiro tempo disputado. 1 a 1. Não lembro quem jogava contra o Fogão. E ela rindo da minha cara séria. Dá um sorriso malicioso. Sai da sala. 15 minutos, começa o segundo tempo. Ela irrompe na sala com minha velha camisa dos Beatles, que nela fica como uma camisola. E apenas isso. Foda-se o jogo.
É noite, já. Esquecemos de tudo naquela tarde. Abrimos os olhos, de volta ao começo do dia.
"Não consigo enjoar disso."
"Nem eu."
"Você nunca é demais pra mim."
"Tem vezes que você é demais. Não por eu não aguentar, mas por ser demais."
"Te amo."
"Eu também te amo Calvin."
E voltamos ao que nos fez cansar pela tarde. De manhã seria outro dia.
E aí acordei.
É triste acordar ou é bom pra buscar acontecer?
Devaneios à parte, sinto que o momento tá chegando.
terça-feira, 25 de junho de 2013
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