Hey, você aí

Não, não quero seu dinheiro.
Estava mais pra dizer 'Hey Jude', ou algo assim.
Bom, este blog é sobre mim. Não apenas eu, mas o que penso, sinto, etc. Já foi meio invasivo, já foi vazio. E no fundo ainda é legal, pra mim. Meu cantinho de desabafo e filosofia, se assim posso dizer.
Eu sou um livro aberto. O que quiser saber, pode achar aqui. E o que não conseguir, é porque ainda vamos nos esbarrar por esta vida irônica.

The Beatles

The Beatles
Abbey Road

sábado, 22 de junho de 2013

O pulo da gata

Nunca fui fã de gatos. Nunca mesmo. 
Sempre achei bichos muito metidos. Porque não dizer traiçoeiros? Se a sua casa pega fogo, o cachorro só sai se você tiver junto dele. O gato já fugiu tem 3 horas, e se for no seu enterro é só pra pensar em sua língua felina coisas do tipo "servo humano imbecil, além de não me dar filé mignon ainda me queima meu enlatado, BEM FEITO que morreu queimado junto!". Vamos lá, quem nunca foi adepto da teoria de que os gatos querem escravizar a nós? Querem voltar ao Egito Antigo. Gato não é católico, que dirá evangélico, assombrem-se ultra religiosos  com seu devido bichano. Também, você queria o quê depois da Inquisição? Isso devo admitir, gato sofre, principalmente gato preto. Mundo preconceituoso esse né. Gato branco até passa desapercebido, mas gato preto saiu na rua é chute! Gato branco virava violino, coisa fina; gato preto é churrasco de pobre! Quando não levam pra macumba. 
Engraçado, sempre adorei outros felinos. Linces, gatos do mato, pumas, guepardos, tigres, leões (principalmente). Mas gato eu bato o olho, já fico: "Nem vem."

Porém, como em tudo que se desenrola de acontecer na minha vida, algo tinha que vir me contradizer em meus pensamentos já muito acertados do amadurecimento. 

Não sei bem quanto tempo, só sei que tem tempo. Conheci uma gata. Do tipo manhosa. 
Essa domina a arte essencial do gato: o pulo. E bem compassado. 

Não foi algo do tipo conhecer e passar o tempo todo grudados. Não, ela é gata. Gato roda, gato sai e não tem hora pra voltar, gato não tem dono. E nem queria eu ser dono ou coisa do tipo. Mas gostava da gata que por vezes me cruzava o caminho, buscando nossos amados lírios em comum, e não se sentia lá a realeza dona de minha humanidade insólita. Fato é, a gata pulava. Um pulo aqui, manhas e mais manhas que me faziam achar graça, e mais 3 pulos pra cá, sem errar o passo, caminhando em qualquer outra direção. Dali mais uns instantes pulava de novo no meu caminho. E eu ria. Passei a achar graça. 



Mas gato sofre, eu disse. E vinha a gata, manhosa, miar. Isso é uma coisa que eu sempre odiei nos gatos. Porque cachorro late pra caramba de noite pra qualquer coisa, mas é pontual e logo para. Gato não. Gato é aquela cantoria, o silvo dos infernos. "Miau miau miau" o gato nos telhados, "miau miau michupa e cala a boca" diziam alguns vizinhos. Porém, vai lá saber porquê, não quis eu ser vizinho mandando a gata pros piores lugares cabíveis. Primeiro que se gato quiser ele vai. Segundo que a gata me pareceu humana, assim. Mais do que já aparentava. Não fui eu então ódio pelo miado. Achei tocante. "Gato sofre, como você". Vai ver eu era gato e nem sabia? Não, sou lobo e esta metáfora é irretocável, mas realmente me peguei pensando nas sinas daquela felina diferenciada.
E no que a gata miou, dei-lhe um novelo.

Gato ama isso. Não sei porquê. Mas ama. Dei à ela um novelo. Fio longo, talvez remendado. Não sei nem a cor. Gato vê cor gente? Não sei. Vou dizer que é verde o fio, é verde, por provocação, porque não é só a gata ser manhosamente querida que eu não posso ser abusadamente sabido das escolhas. 

O novelo é sonoro. Vem de dentro. Ecoa e fica infinito, mea culpa. Pra ela não faz mal, gato gosta. Ela gosta. Desenrola o novelo, brinca, sorri. Pula pra trás, hora da gata ser gata longe de qualquer um. Pula de volta, ainda é gata. 

Divirto-me com o sorriso e as manhas da gata. Divirto-me fazendo com que aconteçam. 
Amigo de gata, o lobo rei dos cães, onde esse mundo foi parar... =)

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