Hey, você aí

Não, não quero seu dinheiro.
Estava mais pra dizer 'Hey Jude', ou algo assim.
Bom, este blog é sobre mim. Não apenas eu, mas o que penso, sinto, etc. Já foi meio invasivo, já foi vazio. E no fundo ainda é legal, pra mim. Meu cantinho de desabafo e filosofia, se assim posso dizer.
Eu sou um livro aberto. O que quiser saber, pode achar aqui. E o que não conseguir, é porque ainda vamos nos esbarrar por esta vida irônica.

The Beatles

The Beatles
Abbey Road

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Nossa voz

Nos fizeram esquecer.
Nós tínhamos. Viva e poderosa. E nem o AI-5 a calou por completo. Mesmo que quase silenciosamente, ela ecoava em cada corajoso ato de represália, em cada briga comprada quase suicida. A voz ecoa até hoje carregando a dor dos que foram torturados e morreram pela democracia, pela liberdade de expressão, pela igualdade e justiça.
E quando Cazuza, no primeiro Rock in Rio, pra encerrar seu show, anunciava a chegada de uma nova era da democracia brasileira, o poeta do povo jamais poderia ter imaginado o que viria. Nem o pior e mais cruel  dos ditadores poderia.
O que houve foi a consolidação do silêncio. Silêncio que vinha vibrar nas costas a cada golpe dos militares, mas que aprendeu a ser mais sutil e se instalava devagar com o sinal da televisão.
"(..) Silence like a cancer grows (..)" diriam Simon & Garfunkel.

E realmente, como um câncer. Governos que usavam a dívida externa como foco, esculhambando a educação. E dando mais liberdade pra uma mídia controladora. O câncer cresceu.
Por muitas vezes eu pensei que éramos caso terminal. Escrevi não sei quantas vezes aqui, até na descrição desta humilde página:
"Libertamos as mentes primeiro antes de libertar os corpos".

Era quase como um mantra pra me fazer acreditar sempre, não perder as esperanças na justiça, na bondade, nos dias melhores. E justo quando este povo tão doente parecia pedir eutanásia, o governo desligou as máquinas rapidamente e sem educação, e não morremos.


Não morremos. Não tivemos medo de abrir os olhos, não nos calamos.
A voz ecoou novamente.

Talvez não houvesse momento mais adequado para a volta do Maracanã. Porque a voz que descrevo só pode ser exemplificada pela euforia de um gol aos 45 do segundo tempo numa final lotada do maior patrimônio físico do futebol carioca (e porquê não brasileiro?). É uma explosão, um arruaço, mil meteoros que se chocam no mesmo ponto instantaneamente e vem abalar as estruturas terrenas daqueles que tentaram  reprimir o céu. Céu da nossa boca, mais do que o exercício de bater línguas e dentes para produzir sons, e sim uma arte. A essência de todas as artes, o ato de expressar.


Apesar de quererem nos tirar de lá. Não entendo porque "modernizar" implica em elitizar. Aliás, é esta a elite brasileira? Meia dúzia de corvos manipuladores que enchem os respectivos rabos de dinheiro enquanto destroçam a vida de milhões de outras pessoas neste e em outros países? Não sou ninguém para dizer quanto ao direito à vida, mas eu tenho bastante certeza que esse é o tipo de gente que já deixou de ser humano há muito tempo. São vampiros, são abutres, são vírus. Pior, são humanos ruins. Humanos não costumam ser melhores do que outros seres vivos. Estes conseguem se superar, pois acham que são enquanto sua existência é um estorvo para com todo o resto do universo.

E ver que não estou sozinho perante o mundo para jogar estas palavras ao vento é mais que um alívio.



Pouco a pouco, surgiu novamente a voz. Porto Alegre, São Paulo, Rio. Está se espalhando. O Brasil não fala mais, canta. Em puro gutural. É um grito. O trovão dos ideais.

E chamarão de vândalos quem apanhou por décadas a cada dia. Chamarão de iludidos quem não se deu ao luxo de deixar de buscar os sonhos. Luxo não, lixo!
Reacionários em seu lixo reclamam como donos de seu mundo luxuoso e irreal. 
Erro por erro é complicado. Mas luxo não justifica ser imbecil, lixo não justifica inércia, então que não julguem quem não aguenta mais ser saco de pancada. Querem "baderneiros" presos? Ótimo. Leva metade (to sendo generoso, já diria o Capitão Nascimento) das câmaras, prefeitos e governadores. Leva preso, Bangu 1 do ladinho do Beira Mar. Excelentíssimos. Em seu devido lugar. Justiça feita, aí "baderneiros" não se incomodarão nem um pouco de ficar presos. Melhor, junta eles com as vossas excelências. Não precisa mais que 10 minutos.

Nações unidas (nem tanto mas digamos que sim) já disseram: a PM tem que acabar. 
Já passou da hora.
Chega de corrupção. Chega de Rio pra quem pode pagar. Chega de Brasil pra quem pode se calar. Chega de violência. Chega de mídia manipuladora que precisa perder sangue pra fazer um trabalho decente. Chega de policial achando que é rei, indo contra o povo. Chega disso. Chega.

A voz acordou e está no ar. Mudanças vem aí. Só pro dia nascer feliz de verdade pro poeta do povo, só pro trovador solitário saber dizer que país é esse. Pro primeiro sonhador dizer que o mundo é um só.

Pra mais que isso. Pra você e eu, e quem mais vier. "Vem pra rua" - eles disseram. 
E fomos, estamos. 





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