Hey, você aí

Não, não quero seu dinheiro.
Estava mais pra dizer 'Hey Jude', ou algo assim.
Bom, este blog é sobre mim. Não apenas eu, mas o que penso, sinto, etc. Já foi meio invasivo, já foi vazio. E no fundo ainda é legal, pra mim. Meu cantinho de desabafo e filosofia, se assim posso dizer.
Eu sou um livro aberto. O que quiser saber, pode achar aqui. E o que não conseguir, é porque ainda vamos nos esbarrar por esta vida irônica.

The Beatles

The Beatles
Abbey Road

segunda-feira, 4 de março de 2013

I was wondering

Pra cansar de ser quem somos, só de frente pro azar.
Pra voltar a gostar, é caso de sorrir pra sorte.
Nem é coisa de espelho ou reflexo. Se apreciar é parte da arte do viver e conviver com que nos aprecia. Mas os pensamentos instantâneos quanto a nossos valores são opostos e tão voláteis quanto a nossa sorte.
Sorte mesmo é dos azarados que gostam de si mesmos. Não vai ser um bocado de azar cotidiano ou sorte rara que muda o fato de se dar valor a quem se é, nem a forma com que se faz isso.
E azar é nunca apreciar-se. Seja a época que for.
Não estou dizendo que devemos todos ser um bando de narcistas que namoram seus espelhos cujos reflexos mais se enchem de vazio. Justo pelo contrário. Estes são azarados de se amar tanto e não ver o que não tem.
Mas amor próprio é necessário. Como alguém pode jurar amor às coisas que faz, às que idolatra e a quem ama sem amar a si mesmo? Sinceramente, não vejo tal lógica possível. Tantos foram os casos daqueles que por excesso de autopiedade e falta de amor a si deixaram de ver e ter tudo que poderiam conquistar e mereciam conquistar, mas não julgaram-se dignos de tais coisas.

Me julgo digno de coisas grandes. Me julguem por isso. Só não posso e não vou me conformar com a mesmice. Não vou achar que sou só mais um. Já existem tantos "só mais um", por quê diabos eu deveria ser outro? Não, não e não. Quero fazer diferente porque sei que posso fazer diferente, e gosto disso. 

Não desejo ser o Paul McCartney ou John Lennon, Che Guevara ou mesmo Mandela. Não desejo ser uma outra pessoa que não eu. Se eu puder, sendo eu mesmo, representar todos estes ideais e tantos outros que almejo, serei ainda mais feliz. Mas relembro, serei eu.


E talvez por isso eu venha pensando, cá comigo. Por quê foi que todo mundo quer ser outra coisa que não as pessoas que são?

Tem certas perguntas que você pode fazer toda uma interpretação sobre o rumo histórico da mídia, alienação, etc e talz, que não vai completar tudo.
Não adianta pensar só em perda de identidades, ou valores, ou massificação.
O ser humano tá perdendo a essência da vida a cada segundo que passa, de livre e espontânea vontade. E contra isso em escala globalizada, não há explicação. 

Diriam os mais nostálgicos e poéticos que o preto e o branco tomam conta da vista das pessoas em todos os lugares, em todos os ambientes. Serei mais direto. Não há mais preto, não há mais branco, sequer. É tudo cinza. Preto e branco é algo que dá saudade. Prefiro a discrepância de opiniões e visões extremamente nostálgica e caótica do que este emaranhado de falta de definição. Esta apatia, cega. Cega e que cega, a quem não sabe abrir os olhos.

Sinto falta de ver pessoas comprarem brigas porque realmente entendem o que elas significam. Apoiarem causas sabendo dos sacrifícios. Não, me nego a acompanhar os falastrões que em um dia batem o peito e no seguinte reclamam das consequências de ter orgulho em um ideal. Que se afundem sozinhos no cinza. Que levem junto quem está interessado nestas tomadas febris e sem consciência do poder que deveríamos saber usufruir.

Porque hoje o que falta ao ser humano é amor a sua essência individual. Tanto falta que ela se perde no vazio destas cascas ocas. Ou corpos, se preferir. E aí, feito isso, não mais se encontra quem sabe o que é. Que dirá amar-se nisto.

Me vejo como um sobrevivente neste cinza. Tenho amigos que também são. Muitos, aliás. Pergunto-me se não seríamos nós, nesta geração, o que nossos pais foram (e infelizmente, em alguns casos, deixaram de ser). Pergunto-me se seremos acinzentados pelo mundo, ou se lhe devolveremos a tonalidade dos mais diversos feixes de luz. Amo a quem sou porque amo meus ideais, amo o que faço, amo quem amo e quem me ama. Finco minha estaca, e que tragam as aquarelas.

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