Acordei as 7. Na verdade 6. Fui durmir ontem as 11 e 30, mas só peguei no sono depois de 2 da manhã. A ansiedade era demais. E quando falaram que a turma estava separada, eu comecei a tremer na base. Não podia sequer imaginar estar em outra turma que não a dos meus amigos.
Não durmi direito. E se um dia havia rezado pra não encontrar a Taissa logo de cara, naquela noite eu rezaria encarecidamente e quase aos prantos pra que ela não ficasse em outra turma.
No ônibus, um pouco de descontração com a Julia, que estreva o 634 pra ir ao cpII.
Levei a viola, tinha uma impressão de que precisaria dela. Por mim, traria sorte.
Na verdade, ela serveria pra eu matar as mágoas. Ou só tentar esquecê-las, por um momento que fosse.
Quando eu subi e vi as turmas, meu mundo caiu.
Quando vi que eu e a Taissa estávamos em turmas diferentes, eu simplesmente perdi toda a ação. Eu não sabia aonde ir. O que pensar.
Essa separação bota em risco simplesmente a única coisa que tenho firme com ela, a nossa amizade. Como eu vou encontrar equilíbrio pra conseguir dar a devida atenção a Taissa, aos colegas de turma e aos amigos do peito de uma só vez?
Fora que, se na mesma turma, eu já não tinha chances, e agora então? Chances zero passaram a a ser chances negativas. Ela não faz a mínima noção da falta que vai me fazer. Eu me senti vazio na sala de aula. Não tinha vontade de fazer nada. Dei poucas risadas e tentei brincar, mas logo eu voltava ao meu estado catatônico e despresível de cara derrotado.
Eu disse pra ela. 'Como você acha que eu vou ficar sem você na turma?'
Ela achou que era brincadeira, ou puxação de saco, essas coisas. Ficou falando 'paaaaaaaaaaaara' e dando risadas, ela nem sabia como eu tava morrendo por dentro.
Eu disse pra ela por a mão no meu peito, pra ela entender de verdade como eu estou. Ela se recusou. Se tivesse feito ela teria sentido um coração aflito, batendo mais rápido do que qualquer um poderia ter aguentado, querendo explodir. Se ela tivesse sentido eu diria:
'Dá pra ficar com ele logo? Eu já te entreguei ele por completo, e não aguento mais.'
E é bem isso. Passei o dia todo, revezando os poucos momentos de felicidade e empolgação com a tristeza de ela não estar mais ali, do meu lado, na minha sala.
Em pensar que ela está da sala do lado. Acho até meio infantil estar reclamando tanto, mas se eu paro pra pensar, já não sou eu quem reclama, mas sim o meu coração.
Num momento sozinho na sala, enquanto todos saíam antes que o último professor chegasse, eu apanhei minha viola e comecei a tocar e cantar. Estava sozinho. Tinha que aproveitar aquele momento e deixar as emoções fluírem com a música. Eu me segurei pra não chorar, 'While my guitar gently weeps' pode te levar ao auge emocional, ainda mais se você é praticamente uma encarnação do jeito Beatle de ser e ver o mundo. 'Nowhere man', 'Yesterday', 'Hey jude', isso tudo destruía cada muralha de força que eu tinha. São letras profundas, melodias inacreditáveis, e que se encaixam perfeitamente em cada detalhe da minha vida.
Quando cheguei em casa, relembrei de um texto que li anos atrás, quando as coisas pra mim eram mais fáceis de se levar, mais sem importância. Havia me identificado com o texto na época, e decorei cada uma das palavras dele. Nunca soube de quem era ou onde eu tinha lido, mas decorei o texto. Hoje, quando relembrei, eu entendi porquê me identifiquei. E num pude mais conter as lágrimas, que há tanto tempo me pediam pra sair, que há tanto foram reprimidas pela felcidade que eu conseguia obter com a Taissa, mesmo que não fosse o que eu almejava de verdade.
O texto era assim:
' ETERNO ADOLESCENTE'
' Pequeno menino, aproveite o seu tempo de infância. Sei o que passa pela sua cabeça. Brinque por enquanto, não há com o que se preocupar. Decore as manias da sua época, seja você mesmo, faça suas amizades. Ainda há tempo pra ser feliz por enquanto. Não estou dizendo que você não será mais feliz mais pra frente, mas você sempre terá mais motivos pra chorar do que sorrir, pois você é como eu, e será como eu fui.
Não se preocupe com a sua infância, você deve aproveitá-la agora. Pois não haverá tempo pra você se despedir dela. Um dia, um dia que parece outro qualquer, o mundo vai cair nos seus ombros e você terá que suportar esse peso, mesmo sem estar preparado. Você será obrigado a amadurecer. E por mais que amadureça, ninguém vai notar o que você passou pra isso acontecer, e nem o quanto a frente da mentalidade do seu tempo você está. Pra falar a verdade, não exatamente a frente, mas sua mente enxerga coisas que as outras não conseguem, seja por hipocrisia, falta de ensino adequado ou simples acomodação. Você é obstinado. Persistente, forte, guerreiro, todos que precisaram e precisarão de você sempre poderão confiar. Sua fidelidade é tão comparável a de um leão a seu bando. Você protege a quem ama, com todas as suas forças. Não faz discriminações, é justo sempre que consegue. Inspira a confiança, inspira a força, inspira a todos como se fosse um líder nato. Logo você estará a frente daqueles que ama, daqueles que te fazem bem. Não manda neles, tenta guiá-los quando te pedem. Você não é o rei da floresta, mas o guia. Você tem um dom pra escolher bem, e ainda reconhece quando erra. Não fique abrindo grandes sorrisos enquanto lê isso, não se faça de arrogante. Você tem uma humildade e sinceridade de dar inveja, então não deixe essas coisas se misturarem e te transformarem em algo que você não é.
Então cresça, seja o garoto maduro, o homem criança. Todo e qualquer problema você conseguirá driblar e superar sem muitas dificuldades. Mas então, eterno adolescente, não diga que eu não te avisei, quando encontrar o amor. Pois por mais forte e maduro que seja você, este será o seu calcanhar de Aquiles. A sua maior fraqueza. Talvez as pessoas achem que isso te faz perfeitamente bem. Vai parecer que você está ainda melhor no que era impossível melhorar. Mas só você saberá o peso que é cravar em si a adaga de dois gumes chamada amor. Deixe-me explicar de um jeito que você, provavelmente ainda novo, possa entender:
O amor é um presente divino. Deus nos deu a capacidade de amá-lo, e ele retribui a nós esse amor infinito. Deus então deu a nós também o livre arbítrio, para que não nos prendamos tanto ao amor. Então o amor surgiu entre os homens e mulheres, mas com o livre arbítrio dos corações, a tendência era não haver mais essa recíproca sempre. E pior, você entrar em contradição com o seu coração, adolecente. Porquê tanto você como seu coração tem livre arbítrio. E em especial com você, isso será um fato inevitável.
Tudo que seu coração quer você não tem. Tudo que seu coração deseja lhe é negado. Tudo que seu coração sente não é recíproco. E você se tortura, mais do que qualquer um, com isso.
A chuva triste cai do céu e você, sem esperanças, vê o mundo, sempre tão gelado com você, se tornar ainda mais frio e não suportar tal falta de calor. E por mais que todos te olhem friamente, você ainda guarda no peito, um calor forte, que te aquece apenas não só o suficiente pra não morrer de frio, como também aquecer a todos que se abateram, junto com você, nessa época tão triste. Você compartilha a sua dor, como fazem os amigos com você nas horas em que eles sentem dor. Mas enquanto você consegue de alguma forma dar a eles a energia, a força que você possui, tão necessária pra seguir em frente, mas eles, por mais que tentem, te fornecem alguns poucos prelúdios de sorrisos. Não que não sejam essenciais, e como são, mas não resolvem a sua dor. Só ela a resolveria, e também é ela que lhe causa a dor. A chuva continua caindo e te trazendo mais uma vez, o peso do mundo que cai aos poucos em cada pequena gota d'água. Você mais uma vez, é obrigado a levantar, eterno adolescente. Obrigado a ser mais forte.
E quando o sol volta e te traz alegria, você entende o porquê da chuva. Você tinha que estar mais forte, porque mesmo com o tempo bom, coisas ruins pra você acontecem. E mais uma vez, você se sente feliz pelo amor, mas também triste. Não pensa nunca na possibilidade de se afastar, e se um dia isso acontecer, você não consegue sequer pensar em como sobreviver a isso. Você estaria morto por dentro, vazio.
Vá se preparando eterno adolescente, pois você terá que ser cada vez mais forte, cada vez mais maduro, cada vez mais imparável. Chore, as mágoas não se curam sozinhas. Mas viva, viva, e procure sempre dar o melhor de si, como eu sei que você sempre faz. Mas quanto ao amor, eu já num sei te dizer se você deve criar esperanças ou não. Mesmo cada caso sendo um caso, você estará apenas com o coração entregue, à espera de um milagre. Se ele acontece ou não, esperemos pra saber. Eu ainda quero saber. Quem sabe você possa um dia, anos mais tarde, me dizer se aconteceu.'
Hoje eu entendo perfeitamente o que o texto dizia. Eu vivo isso. Eu sou o 'eterno adolescente'. E me vejo talvez muito mais sem saída que o narrador do texto, que nunca saberei quem foi.
Aqui fica ele:
....s2....
Pequeno, entregue, já procurando uma forma insana de sobreviver em meio a tanta alegria e tristeza, clamando por um único nome:
'Taissa..Taissa..Taissa..'
Hoje eu fiquei simplesmente atordoado. E com o texto relembrado, eu tive que desabar.
E em pensar de reecontrar a Regina como prof de inglês (pra infelicidade de certos amigos..), de ter um prof de matemática II bem maneiro, e de saber que tem 2 MATEMÁTICAS!!!
De agora ser aluno da prof do meu melhor amigo, o Pedro.
De agora sentir me sem saída, sem vontade de sair também.
De saber que meu blog tem sei lá quantas pessoas lendo na escola direto, e que vou ter que usar dele pra poder estudar agora, eu acho.
Dói por dentro, todos sabem, mas ela não faz idéia de quanto.
Minha amizade com ela vai sem dúvida ser afetada com isso tudo, eu num acho que consigo manter um equilíbrio entre ela e todos os outros amigos. E sem falar em todos os amigos que estão na outra turma também. Às vezes odeio ser tão sociável, tão fácil de crias laços, pois quando eles são forçados, tendem a se romper.
Que o milagre tão desconhecido aconteça. Eu já não posso contar mais comigo mesmo, pois entreguei meu coração. E já não acho mais a força que o 'eterno adolescente' tem que ter, e que tive, tanto tempo. Eu estou rendido. Estou de braços ao céu. E enquanto a minha guitarra soa gentilmente, não me permito chorar, mas o coração pede isso. Se houvesse um meio termo entre cabeça-coração, eu sei que seria mais feliz, mas infelizmente, ou é céu ou é terra, ou é fogo ou é água.
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