Hoje tinha tudo pra ser um bom dia. Tudo pra ser um dia memorável. No bom sentido.
A vida quis que fosse no mal sentido.
Acordei cedo, coisa rara nas férias, tinha que ir ao dentista. Até aí, tudo bem. Fui com minha mãe lá. Chegamos atrasados e mesmo assim tivemos que esperar um pouco. Foi tudo tranquilo. Nenhuma reclamação exagerada, nada de perigo ou cárie. Só o velho puxão de orelha pro raio do fio dental, que eu sempre tive preguiça de usar. Só uso quando sinto algo preso nos dentes. E na rua, sai o fio, eu uso o palito de dentes mesmo.
Fui direto pra São Cristóvão. Jenifer não me atendia, consegui ligar pro Rappa e segurar a Carol por lá. Ela tinha algo pra resolver com a Jenifer, e eu com a Carol, eu devia uma grana relativa ao presente do Rappa. Geral dividiu e o Pedro pagou minha parte. Tinha que ver como acertar.
Mal cheguei de uma viagem longa, a primeira coisa que fiz foi ver os resultados. Subi, meio inquieto. Ao chegar perto dos murais, o coração acelerou. Não sei bem qual foi a sensação, descrever é muito complicado. Quando encontrei o papel com a turma dela, fui descendo a folha com o dedo, acompanhado do olhar.
Quando vi seu nome, olhei devagar, nervoso, para o resultado.
Escrito em vermelho: FIS,MAT,QUI.
Ela tinha sido reprovada em 3 matérias.
O choque foi enorme. Eu não sabia bem o que fazer, e não podia ligar pra ela pra contar isso. Eu liguei assim que desci do ônibus, ela me disse que vinha de tarde, eu resolvi esperar pra contar e apoiar.
Desci, topei com a Carol e o Pedro por lá. A Bia Calazans também estava por perto. Cumprimentos a parte, orçamento feito, começamos a conversar. O rumo da conversa era ruim é claro. Jenifer não era a única a repetir.
Rappa também tinha repetido. Se eu já estava pra chorar e ter um infarte, com essa, era um milagre não ter desmaiado. Mal havia se passado o aniversário dele, a felicidade que ele tava, pra isso. Beleza de presente.
Ele não foi o único. João, com um aniversário ainda mais recente, repetiu de novo. Está jubilado. O colégio pedro II jubilou João Marcelo Guerra, um feito inacreditável. Vicenzzo só faltava chorar pelo nosso amigo, amigo de todos. João queria compainha pra ir na feira, chapar-se um pouco. Se foi, eu não sei, mas até que era uma boa idéia. Com lágrimas nos olhos de todos, fomos expulsos do colégio. Do lado de fora, reencontrei seu Nilton e outro velho coroa amigo cujo nome sempre me escapa. Conversava com os caras antes de ir embora, nos tempos de condução.
Rappa saiu da escola, batido, já quase chorando. Ou já tinha chorado. Não falei muita coisa. Um aperto de mão amigo, um tapa meio abraçado nas costas (não sei descrever melhor que isso). Ele foi indo, a mãe logo atrás. A cara da mãe não me agradou.
Sabe, geralmente quando os filhos repetem de ano, os pais caem encima com tudo que tem direito. Beleza, repetir de ano não deixa de ser, nem nunca deixará de ser, apenas consequência das atitudes e escolhas de um aluno. Agora, é fato de que, se ele ao menos se arrependeu, e tá triste por isso, esporro só piora, e MUITO, a situação. Tem gente que entra em depressão, outros se revoltam e coisas ruins acontecem em casa. Cabe aos pais o puxão de orelha básico, mas cabe também saber dar apoio. Essa história de cair matando e sair proibindo as paradas é pros repetentes que não tão nem aí, esses sim, precisam de um corretivo.
Meu medo maior é que tal coisa acontecesse com a Jenifer. Ela não podia entrar, e eu tinha agora a missão de ser o portador de más notícias. Dia ingrato desenhado, e não foi nem com lápis nem caneta, pegaram o carvão bruto e esmagaram com um martelo na folha, pra não deixar chance de apagar. Só resta poder amassar esse papel e jogar fora, no esquecimento.
Fui almoçar com o Pedro e a Carol. Me disseram que a mãe do Rappa ameaçou tirá-lo da escola, pra piorar as coisas. Conversávamos bastante enquanto não fomos atendidos. Phelipe apareceu por um instante, conversamos um pouco. Talvez ele vá pro Engenho Novo. Mais uma falta pra mim.
Após sua saída, Geraldo foi o próximo a se juntar a nós. Pra almoçar mesmo, papo pra lá, papo pra cá, depois que a comida finalmente chegou, vi Jenifer subindo a rua.
Larguei tudo e fui chamá-la.
Ela tava linda, pra variar. Mas quando eu vi que ela tava com a irmã, meu mundo foi abaixo.
Simples, eu ia ser o portador de más notícias e não ia poder apoiá-la como namorado, porquê na frente da irmã ela quer 'bom comportamento' da minha parte. Como se a irmã já não soubesse. De qualquer forma, ver a Jéssica ali foi deprimente.
Contar pra ela não foi fácil pra mim, eu queria chorar, por tudo que já tinha visto e descoberto durante o dia. Queria chorar mesmo, e sabia que não podia, ela ia ficar como? Eu ia piorar as coisas. Ela até que reagiu bem, de certa forma. Claro que tava triste, mas ainda mostrava ao menos um pouco de bom humor.
Mas não durou muito. Zoo cancelado, dia 28 mal sabemos se nos veremos. Pra completar o pacote, ela me diz que os médicos suspeitam (ou tem certeza, não entendi direito) de que ela tá doente, com hipotieróidismo (NÃO SEI ESCREVER), algo assim. De qualquer forma, é algo muito preocupante, mas também relativamente fácil de lidar. Seguindo o tratamento e remédios que forem receitados, não tem erro. Tudo isso junto com otimismo, igual minha linda mineira curadinha 100% saudável. Claro que eu to falando isso mais calmo agora, na hora foi mais uma facada no coração, que eu ainda consegui disfarçar. Ah, eu esqueci do golpe final: ela não entregou a papelada necessária, não sabe se vai pra manhã. Era o que faltava, agora eu não sei a minha namorada estará no mesmo turno que eu. Cara, eu tava desnorteado, menor abandonado quase. Sensação ruim, que só era amenizada pelo amor que eu sinto pela Jenifer, e pelo que ela sente por mim.
Ela teve que ir. Despedida sem beijo. Estar com a Jenifer e não beijá-la é como ganhar na megasena e não buscar o prêmio. É simplesmente inaceitável. Da próxima, que talvez seja só ano que vem, espero que ainda seja nesse, vai sobrar beijo, eu tenho certeza disso, e é bom que ela tenha também.
Terminamos o almoço. Geraldo tomou seu rumo, e eu fui pegar um 473 com o Pedro e a Carol. Ficamos conversando. Botei minha aflições sobre o futuro todas pra fora, conversando sobre tudo que poderia acontecer. Todas as possibilidades me enlouquecem. Tudo que eu queria era ter certeza absoluta de que a Jenifer estará comigo ano que vem. Não importa a série ou o turno, mas AQUI. Saber que ela pode se mudar ainda me deixa maluco. E continuará me deixando, sempre. Tudo que pode acontecer está fora do meu alcance, me deixa de mãos atadas, e me obriga a esperar. Não há sensação pior que a de não poder fazer nada. Sou tomado por negatividade toda vez que tenho que deixar as coisas se resolverem por si só.
Voltei pra casa cabisbaixo, quase sem ação.
Minha mãe percebeu. Eu contei tudo que pode acontecer. Ela disse várias coisas, mas o principal, pra eu não pensar no futuro.
Em pensar que eu disse isso pra Jenifer várias vezes.
O jeito, que gosto e finalmente posso, é viver o agora. O problema é que estou impossibilitado de aproveitar né. Queria estar com ela, a todo o tempo. Rezo pra poder vê-la. De todos os males, pra ela o maior (conversamos aqui no msn) é que ficará 2 anos na escola sem mim por lá. Pra mim, o menor dos males.
Disse que a mãe não ficou muito brava, nem brigou. O pai ainda não sabe, temos que ver o resultado, espero que siga a mãe. E dela se importar mais com a minha ausência num futuro mais distante, significa, na minha opinião, que a viagem dela, a mudança, já não é tão certa. Parece que, ao fim, as coisas se encaminham bem. Já estive lutando contra a corrente muitas vezes sem motivo, agora que tenho o melhor de todos, só preciso continuar. Tudo vai ficar bem, eu sei disso. Nosso amor é forte.
Saldo da minha sala: Carol jubilada e Tomaz repetiu. Na outra MA, Henrique repetiu (até falei com ele hoje) e Igor foi jubilado. Certas coisas são inevitáveis. O jeito é seguir em frente, não importa o que aconteça.
E assim as turmas vão se desfazendo, e a vida seguindo. A vida no pedro II nunca foi tão tensa. E nem tão emocionante.
Pros que se despedem, um adeus repleto de agradecimento sincero e carinho, e esperança pra um dia de reencontro.
Pros que ficam pra trás, apenas uma mensagem de força e companheirismo. Não desistam. A vida derruba, a gente levanta. Nada pode nos impedir. Só nós mesmos.
Pros que ainda me acompanham, a felicidade de ainda podermos aproveitar, pois o ano que vem, quem diria, é o último e derradeiro, e que valerá por todos os outros.
E pra minha namorada, muito já foi dito, mas pra reforçar, sempre vale a pena:
Jenifer, certas coisas tem que acontecer. E não importa em que cidade, turno ou ano você esteja, eu sempre vou te amar.
Sei que muitos vão viajar, então adianto o desejo de Feliz Natal e Feliz 2011 pra vocês e suas famílias.
Fechando o post aqui. Um clima tenso, mas vencido na base da esperança e positivismo. O futuro é o que há de ser. Aproveito o meu presente, com a mineira mais linda do mundo como minha namorada.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
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